A Paleontologia na Prática

A análise dos relatórios do laboratório de Paleontologia de centenas poços perfurados na Bacia do Recôncavo constitui a base do raciocínio que deu luz para a Geologia Histórica, corrigindo todas as crendices que existem sob o nome de Geologia: aquecimento global, eras glaciais, dilúvio universal, efeito estufa e outras ideias de igual jaez, que são apenas fruto das crendices primitivas, dos homens primitivos, que são também onerosas e prejudiciais ao progresso da humanidade. Tais ideias são admitidas por pessoas importantes do cenário mundial político e científico, mas devem e têm de ser compreendidas, para serem descartadas como lixo científico.

Para os não iniciados em assuntos da paleontologia, vale a pena algumas explicações iniciais para o assunto ficar claro e para que as críticas que surgirão a seguir tenham lógica. Evitemos a história da paleontologia para o assunto não se alongar. Basta dizer que foi William Smith (1769-1839), o descobridor da lei da Sucessão Faunal e da possibilidade de se fazer as correlações laterais, partindo dai para fazer mapas baseados na correlação lateral dos fósseis. Por tal ideia ele ficou conhecido como o “Pai da Geologia”. Na Petrobras tentou-se fazer o mesmo com insucesso total porque havia diferença no modo de sedimentação entre as duas situações, e no Recôncavo acabou por gerar erro grosseiro que veremos adiante.   

 

A paleontologia serviu para datar as rochas com uma condição: se elas fossem portadoras de fósseis. Esta condição restringe o valor desta ciência, pois a maior parte das rochas da litosfera não é fossilífera. Os diversos trabalhos realizados por cientistas desde muito tempo consistiu em depois de achado um esqueleto ou mesmo fragmento de esqueleto de algum animal determinar que animal era aquele, fazendo hipóteses sobre o seu passado e deduzindo as condições onde, como e quando ele tinha vivido. 

 

A partir dessas suposições imaginava-se também a sua idade, refinando-se cada dia mais as informações, de onde surgiram tabelas muito discutíveis, especialmente porque a idade era fornecida em número de anos, como se faz entre as pessoas, e apenas que para dar a ideia da antiguidade colocava-se em número de milhões de anos, sem qualquer comprovação. Essa ideia “pegou” para datar as coisas da Terra e do Universo.

No Recôncavo foi adotado o mesmo procedimento. Foram convocados cientistas de renome internacional para datar os sedimentos da Bacia[1] e fizeram seu trabalho com perfeição dentro do pensamento que guiava a ciência, pelo meio do século passado. Reconheceram e classificaram os fósseis que ocorriam na Bacia como fósseis de idade Jurássico/Cretáceo. O resultado pode ser visto na Coluna Bioestratigráfica do Recôncavo que mostra como os fósseis correspondiam diretamente às “formações” supostamente existentes dentro da Bacia. Entretanto, eles não sabiam de um detalhe, e não poderiam saber, desde que o tal detalhe ainda não tinha sido percebido, e os resultados dos exames paleontológicos se destinavam a outro objetivo, outra finalidade.

Qual o detalhe desconhecido? O detalhe era o fato dos fósseis analisados originários dos sedimentos do Recôncavo estarem misturados, e isso jamais seria cogitado por um paleontólogo trabalhando no Recôncavo. É contra a lei da natureza a mistura de fósseis! Todo e qualquer depósito geológico está submetido às duas leis da sedimentação: as camadas, inicialmente, sedimentam na posição horizontal e as que ficam em baixo são sempre as mais antigas ou mais velhas. Os fósseis são sedimentos especiais, mas obedecem rigidamente a essas leis. O estudo qualitativo estava correto. O estudo estatístico foi feito por este pesquisador. Este trabalho é o resultado desse estudo.

 

Além do mais, tinha-se como certo que a Bacia do Recôncavo se formara na sua atual posição geográfica, que a chamada “falha de Salvador” era uma “falha normal”, pois a movimentação continental ainda não tinha fundamentos muito firmes como teoria. Essas suposições ficam evidentes na organização mostrada na Carta da Petrobras e pode-se ver um resumo das mesmas na seção geológica esquemática da Bacia do Recôncavo.

 

Veremos que, na prática, quando estudarmos os relatórios do próprio laboratório da paleontologia isto não acontece. No mapa dos poços aparecem os poços selecionados para mostrar que o fenômeno ocorre, estatisticamente, em toda a Bacia e não pontualmente, como se pretendeu na teoria dos “diápiros”.  

Mostraremos em seguida as evidências achadas nos relatórios do laboratório da paleontologia que confirmam a misturada de fósseis apontada neste estudo, e que visto desta maneira é decisivo para uma série de conclusões que levam a outro raciocínio sobre a história da Terra, sobre a pesquisa do petróleo e repercutem na economia do país.

 

Voltamos a acentuar que este é o erro central verificado na Bacia e que induziu a todos os outros erros que foram lá cometidos, inclusive os cometidos pela sísmica e pelos perfis elétricos. Verifique-se ao longo do estudo que, os resultados obtidos com as previsões geofísicas não acertaram uma só das previsões feitas. De fato, não poderiam acertar devido ao erro na definição das rochas. 

 

Iniciemos o estudo dos relatórios na área de Capianga. Naquela área foram construídos dois poços.

ÁREA DE CAPIANGA 

 

1-CG-1-BA

 

Prospecto furado em 1959, na parte norte da Bacia. O poço verificaria uma “transgressão dos mares Ilhas sobre um Candeias erodido”. A partir dos dados sísmicos e do mapeamento de superfície, previu-se no prospecto uma coluna estratigráfica que não correspondeu a encontrada. Baseado em estudos da geofísica, vê-se na figura 10.1A como seria o poço quando estivesse pronto. Na figura 10.1B vê-se o que aconteceu depois da perfuração. Como pode ser visto, não há qualquer relação entre uma e outra coisa.

A previsão sísmica para a profundidade do Sergi, formação da base da coluna estratigráfica, a 1.117m, combinada com a informação do Laboratório de Paleontologia, segundo a qual a 1.100m foram constatados fósseis do tempo Ilhas, (formação jovem no topo da coluna), levou o geólogo a lançar mão de uma “falha” colocando o Sergi contra o Ilhas. Tal falha, que não fora prevista pela Geofísica, eliminou toda a formação Candeias, toda a Zona “A” e o topo do Sergi que eram os reservatórios mais interessantes para petróleo, segundo as tradições existentes na cúpula exploratória. O geólogo quase foi demitido e o relatório foi rejeitado (documentos na pasta do poço). 

 

A interpretação foi severamente criticada pela chefia. Isso provocou uma carta-justificativa do geólogo autor do relatório, sugerindo uma segunda possibilidade estratigráfica onde, ao contrário do primeiro, o Candeias reaparecia em contato discordante com o Ilhas aos 778m - com um ponto de interrogação ao lado. Nessa interpretação, a parte inferior da coluna, até o embasamento passou a incluir o Sergi e a Zona “A” e a falha desaparecera como havia aparecido: por encanto (figura 10.1C).

Na carta-justificativa, o geólogo explicou a colocação do contato Ilhas/Sergi a 1104m: ele levara em consideração as informações paleontológicas que indicavam fósseis do Ilhas a profundidade de 1100m. De fato, o reestudo das amostras laterais retiradas a 975m e 1058m ainda registravam fósseis do Candeias inferior e do Itaparica, respectivamente dentro do intervalo do Sergi, configurando erro de interpretação geológica. E mais, até o fundo do poço, os fósseis analisados eram somente os associados à formação Ilhas.

 

Admitida a divisão estratigráfica feita no perfil elétrico do poço sob estudo, corrompe-se a Lei da Sucessão Faunal e a estratigrafia fica incompreensível, sem qualquer tintura de Geologia. Animais e rochas anacrônicos tornados sincrônicos por força de um relatório. Em Capianga existem fósseis jovens do tempo Ilhas (topo da coluna), dentro do Aliança (base da coluna) algo impossível na natureza. A determinação paleontológica é um fato corretíssimo. "O fóssil é sincrônico ao tempo Ilhas". O erro consiste em chamar-se formação Aliança para aqueles estratos. Eles ainda seriam da “formação” Ilhas, e os sedimentos acima deles não poderiam ser chamados de Candeias, Zona “A” e Sergi.

 

A interpretação da coluna estratigráfica do poço de Capianga gerou muitas discussões entre o Distrito e a sede da Empresa.

No Rio de Janeiro os relatórios e cartas foram cotejados e, a partir de cópia do perfil elétrico, sem as constatações paleontológicas, modificou-se a posição da Zona “A” (que saiu dos 837m passando para 955m) e de outros parâmetros da coluna, sendo adotada outra solução, também não geológica, pois não considerou, de novo, a Segunda Lei da Sedimentação como se isso não tivesse qualquer importância em questões exploratórias (figura 10.1D). Essa atitude em nada alterou a solução do problema estratigráfico da Bacia, mas mostrou a existência de determinado grau de confusão sobre a estratigrafia da mesma, tanto na gerência exploratória da Bahia, como na do Rio de Janeiro. A determinação de fósseis Ilhas a 1090m, torna impossível a existência das formações Candeias, Zona “A”, e Itaparica acima desse ponto, pela Segunda Lei da Sedimentação. A solução estratigráfica adotada pela arbitragem feita no Rio de Janeiro e todas as anteriores estavam geologicamente erradas, e o erro virou uma tradição, e uma lenda foi criada e conservada até hoje entre os geólogos brasileiros: não sabe a solução do problema? “Chuta-se” uma resposta qualquer porque ninguém sabe também. Era uma maneira particular, “petrobrasiana”, de resolver problemas científicos. 

 

Para o geólogo padrão Petrobras o poço de Capianga era um caso corriqueiro. Para o pesquisador era, pelo menos, um caso estranho e duvidoso. As explicações não eram razoáveis e parecia que havia alguma coisa errada. As formações geológicas mudavam de profundidade ao bel-prazer do “intérprete”, desde que tivesse em mão, uma cópia do chamado “perfil elétrico”, ferramenta “mágica” vendida por uma companhia americana e na qual se cria e se crê dogmaticamente. Neste caso ficava a pergunta: para que serviria a paleontologia?

 

Vejamos o segundo poço da área.

1-CG-2-BA 

 

Prospecto de 1962, cujo 

...strongest suport... comes from seismic data. (Do prospecto). 

 

A espessura dos sedimentos seria de 585m, com o Sergi a 535m. Previu-se também que a estrutura do poço 1-CG-2-BA, estaria 500m mais alta que o CG-1 (do prospecto).

 

O quadro abaixo mostra o que foi planejado para a estratigrafia do poço nas duas colunas da esquerda, e o que foi encontrado depois da perfuração do mesmo.

 

Ao fim da perfuração, o geólogo que acompanhou este poço foi mais sensato e fez um relatório mais agradável à gerência, achando que o prospecto atingira plenamente o objetivo (o Sergi fora encontrado praticamente onde a sísmica o previra) e a correlação elétrica feita com o primeiro poço era “excelente” nas palavras do geólogo.

 

Na verdade nada era tão excelente assim. O poço não estava 500m mais alto que no primeiro como previra o prospecto da geofísica, e além disso a “excelente correlação”, auxiliada pelo perfil elétrico, fora feita com o primeiro poço que estava completamente errado do ponto de vista geológico/estratigráfico como vimos anteriormente. O relatório do Paleolab, do segundo poço, diz o seguinte (ter em mente que o topo do Sergi está marcado aos 515m!). 

 

Vejamos o “Relatório da Palinologia”. 

“Relatório de Ostracoides”

 

“Inicio do poço na formação Ilhas superior parte inferior.

Topo do Ilhas inferior entre 240 – 270m.

Não ha indicações para Candeias

Primeiros Ostracoides da formação Itaparica aparecem entre 480 e 510m.

 

Observação: Não podemos excluir a possibilidade da existência de um pouco de Candeias, parte inf. acima da Zona “A”, mas achamos que deve ser menos do que 30m.”

Testemunho nº 01 de 496,68 – 500,68 – Itaparica (informação coerente)” 

 

Os fatos passados neste poço enquadram-se no mesmo caso dos anteriores. 

 

O topo do Sergi está marcado, no perfil elétrico, à profundidade de 515m e abaixo desse parâmetro, até o fundo do poço a 563m, há fósseis do tempo da sedimentação do Itaparica, contrariando a Segunda Lei da Sedimentação, impossibilitando a divisão estratigráfica feita no perfil elétrico. 

 

Observe-se ainda que, na divisão estratigráfica apresentada, a espessura do Candeias fica entre 388m e 491m, onde a análise dos Ostracoides diz que ocorrem fósseis do Ilhas, por isso seguidas de um ponto de interrogação que se observa ao lado, uma situação estratigráfica absurda que não foi justificada. Não ha erro na determinação paleontológica. O erro é da geofísica na previsão do Sergi e no reconhecimento daquela “formação” no perfil elétrico. 

 

A Palinologia havia determinado Candeias inferior, enquanto a análise dos Ostracoides afirmava que não havia indicação para o Candeias. Vejamos outros poços ainda na mesma região, e com outras irregularidades técnicas prejudiciais à exploração. 

ÁREA DE SUBAÚMA 

 

1-SU-1-BA 

 

Outro poço pioneiro na mesma Região de Capianga. Prospecto de 1959 oriundo da sísmica (ES-7 e ES-12), e no qual está assinalado: 

“...Não se espera que esta locação esteja afetada de maneira incomum pelo rápido acunhamento do Ilhas, como seria o caso do CG-1-BA.” (do prospecto).

Segundo as interpretações sísmicas, a coluna estratigráfica seria como a que se vê na figura 1-SU-1-BA. Aqui também, nada deu certo. Como anteriormente, durante a perfuração do poço não houve quem pudesse situar-se na coluna estratigráfica. A 1686m, ultrapassada a profundidade final prevista para o poço (que devia ter terminado aos 1634m segundo o prospecto), a Paleontologia informou que os fósseis encontrados nas amostras eram do Ilhas, repetindo-se o fenômeno de Capianga. A 1814m de profundidade, esgotada a capacidade de perfuração da sonda designada para a locação (sonda no 47 com capacidade para perfurar 1800m), sem que tivessem sido encontrados os objetivos do poço, o geólogo brasileiro que o acompanhava, foi substituído por uma americano mais experiente.

 

A coluna de perfuração foi trocada por uma mais leve de maneira pudesse ser alcançada maior profundidade por que “...The confusing facies change exibited in the lower Candeias and Itaparica formation in CG-1-BA has caused the decision to continue to the botton of the Sergi.” (Relatório semanal número 9 da pasta do poço). Notar como os erros geofísicos e paleontológicos se refletem nos serviços de perfuração. A sonda 47 não tinha capacidade para perfurar mais do que a profundidade já alcançada, indicada pela sísmica e não pode ajudar a solucionar um problema.

 

Com a coluna mais leve o poço chegou a 1896m de profundidade ou seja, 96m além da capacidade nominal de perfuração da sonda, e 262m além da previsão do prospecto para a profundidade final, havendo neste ponto um acidente: a ferramenta de perfuração prendeu ameaçando perder-se o poço.

 

Conseguida a liberação da coluna, perfilou-se o mesmo, que foi tamponado e abandonado como seco. Interpretaram-se os resultados do perfil elétrico, dando nomes correntes da estratigrafia regional aos diversos intervalos, sem terem em conta as informações do laboratório da paleontologia que mostravam haver:

1. Até o fundo do poço, fósseis da zona palinológica nº 06, correspondentes à formação Itaparica; 

 

2. Nas amostras de calha até o fundo do poço, só foram encontrados micro fósseis correspondentes ao Ilhas;

 

3. Os testemunhos no 24 (1780,5-1786,5m) e 25 (1837-1839m), ambos pertencentes à formação Sergi, cujo topo está marcado a 1744m de profundidade, são portadores de fósseis do Ilhas um completo disparate estratigráfico sem que fosse tomada qualquer providencia por quem de direito. 

A formação Sergi é um intervalo estéril, isto é, onde não ocorrem fósseis. Em Subaúma não somente ocorriam fósseis, como estes eram de outra formação e, pior de tudo, geologicamente, bem mais jovem que o tempo da sedimentação do Sergi, situacão semelhante àquela descrita pelo poeta popular em "O samba do crioulo doido".

Aparentemente essas informações não tinham importância. Mas era só aparentemente, pois, de novo, prostituía-se a Segunda Lei da Sedimentação - pedra angular da ciência geológica e pavimentava-se o caminho para a subutilização dos recursos a perda do monopólio, o abandono da Bacia e o fim dos estudos paleontológicos na Petrobras. 

 

O poço é seco e abandonado com prejuízos extraordinários e vale a pena recordar alguns fatos relativos aos episódios históricos: a cabeça do pesquisador, também, entrara em parafuso. A bacia era, de fato, difícil e complicada, mas, haviam alguns erros evidentes. Continuar estudando era o caminho a seguir e passamos à área de Caboclo. Esse modelo estratigráfico que chamamos de grotesco, espalhou-se pelo Brasil e o erro contaminou as áreas onde se busca petróleo corrompendo-as. Dizemos nós: achar petróleo guiado por esses modelos é como procurar um chapéu preto em quarto escuro, que não está lá.

ÁREA DE CABOCLO 

 

1-CLO-1-BA. 

 

Naquela área foram construídos dois poços: o primeiro em 1962 e o segundo em 1964. Em Caboclo 1-CLO-1-BA, a sísmica tinha determinado: 

 

...um nariz estrutural no embasamento que favorecia os dois principais reservatórios da bacia.”, (do prospecto). 

 

Os reservatórios principais, como sempre, eram o Sergi e a Zona A. O quadro das previsões estratigráficas e dos topos da estratigrafia achada depois da perfuração do poço é o que se vê na figura abaixo e, como se observa, bastante discrepantes.

Os topos das formações foram encontrados mais altos que os esperados contrariando o prognostico da sísmica.

 

A 426m topou-se com a Zona A, enquanto o Sergi inferior estava a 468m, com 90m de espessura, pois fora cortado por uma falha que apareceu após a perfuração do poço para justificar o inusitado. A sísmica, também, não a previra. O Aliança, que não tinha sido previsto, apareceu, pouco abaixo da previsão do Sergi, e o poço que iria até 570m na profundidade final, com 50m dentro do Sergi, foi até 756m dentro do que foi chamado de Aliança, ultrapassando toda a espessura do Sergi. O topo do Sergi, que tinha sido previsto a 527m, ficou marcado no perfil a 468m. O relatório paleontológico diz o seguinte (grifos são nossos): 

 

Relatório Paleontológico: Ostracoides.

Obs: A amostra entre 525 e 540m mostrou 2 tipos da formação Itaparica o que faz crer que Itaparica esteja presente na seção (provavelmente entre 444 e 468m). 

 

Testemunho nº 01: Ilhas inferior.

Relatório da Palinologia: pólens

Test. nº 01 (336,3-340,3) e Test. nº2 (346-349m): “Provavelmente zona palinológica 5 inferior, parte inferior, i.é., provavelmente Candeias inferior parte inferior.” 

 

Neste ponto ficava claro ao pesquisador que haviam vários erros no problema da pesquisa do petróleo que se fazia na Bacia: a sísmica e os perfis elétricos que eram recursos interpretativos não funcionavam, restando a paleontologia que verificava fatos, apenas que perdiam crédito para as outras ciências mais “matemáticas”. Mas mesmo a paleontologia tinha problemas: os fósseis da bacia estavam misturados e também não se prestavam para correlação.

 

Observar neste poço a forte evidência da misturada de fósseis. Fósseis de tempos diferentes (Ostracoides do tempo Ilhas e pólens do Candeias inferior) no mesmo testemunho. 

 

Neste pioneiro, o aparecimento de sedimentos de cor vermelha a 558m, balizou a coluna daí para cima. Foram eles chamados de “formação Aliança” e a parte superior a eles foi segmentada convenientemente para completar a coluna estratigráfica. O resultado da análise paleontológica não foi levada em consideração e por isso a divisão estratigráfica feita no perfil elétrico é contraditória e errada. Se as informações paleontológicas forem consideradas, a estratigrafia vira uma espécie de “samba de crioulo doido”...

 

O topo do Sergi marcado que foi a 468m de profundidade condicionou os “desmoronamentos” apontados no relatório da Paleontologia. Essa palavra, é uma espécie de expediente encontrado para justificar fósseis do Candeias, Ilhas, Aliança, Itaparica etc., dentro de outras formações, ou fora dos seus lugares onde eram esperados. 

 

Mais uma vez repetia-se o fenômeno: fósseis jovens ocorrendo em formações antigas, trombando com conceitos de geologia primária. 

 

Os fósseis fora dos seus sedimentos associados, foram considerados como desabados, gerando os pontos de interrogação (fósseis Ilhas dentro da formação Candeias) e uma explicação de como o fenômeno poderia ter acontecido. 

 

Com efeito, estão corretas as determinações paleontológicas. É fácil a um paleontólogo experiente reconhecer os diversos fósseis que ocorrem em superfície e subsuperficie. Os fósseis analisados são característicos do tempo Ilhas. Errada está a interpretação estratigráfica feita pelos geólogos. 

 

Uma informação que deve ser destacada é o resultado surgido da análise do testemunho nº1. Segundo a Paleontologia, os fósseis (Ostracoides) encontrados são do Ilhas. Segundo o exame palinológico, os pólens são do Candeias inferior, demonstrando factualmente que os fósseis estão misturados.

 

Vejamos o segundo poço: 

1-CLO-2-BA, na figura 10.5A

 

É o segundo poço, dessa série, furado em 1964, dois anos após o primeiro. Prospecto da sísmica para verificar a parte alta da estrutura determinada pelo “falhamento” que ocorrera no primeiro poço. Se não fosse um “chute”, o novo poço deveria ser como mostra a figura do meio na ilustração 10.5B. O Sergi estaria no lado alto da “falha” e com todo o petróleo imaginado. Furou-se o poço e olha o que aconteceu. Veja-se a previsão e o resultado da perfuração. Observe a figura B com o poço perfurado do lado direito da figura.

Observe-se o que diz o relatório do Paleolab (documento da pasta do poço):

 

Relatório da Paleontologia: Ostracoides:

Resultados Palinológicos:

O topo do Sergi fora marcado aos 637m mas a Paleontologia encontrara fósseis do Ilhas em toda a espessura daquela formação, “desmoronados”, explicam, tentando não ferir fundamente a Lei da Sucessão Faunal ou Segunda Lei da Sedimentação. O testemunho retirado a 535m mostra fósseis do Ilhas infestando a formação Candeias desmontando a coluna estratigráfica feita sobre o perfil elétrico. Ao fim e ao cabo, não somente esses poços apresentavam essas anomalias, mas todos os furados na Bacia, foi o que se verificou no prosseguimento da pesquisa. Vejamos mais alguns exemplos marcantes do fenômeno através dos relatórios do próprio Paleolab. 

ÁREA DE RIACHÃO 

1-RIA-1-BA. 

 

Pioneiro de Riachão - Oriundo de estudos de superfície feitos pela EPE-3, deveria este prospecto ser raso e testaria arenitos do Ilhas superior, os quais seriam atingidos a 80m de profundidade enquanto o arenito S. Paulo-Catu seria encontrado a 900m de profundidade. A chefia da exploração no Rio de Janeiro atendendo argumentações razoáveis para testar as contestações sobre a validade da estratigrafia vigente na exploração do petróleo da Bacia, que naquele tempo já era um assunto bastante comentado entre os técnicos implicados nos serviços de pesquisa, transformou o pioneiro em um poço de pesquisa. Dali por diante, o poço não seria mais raso e deveria perfurar até o embasamento e bem testemunhado. Para isso, acrescentou-se um Adendo do Programa Geológico e de Perfuração do 1-RIA-1-BA nos seguintes termos (documento da pasta do poço):

“O intervalo compreendido entre o topo do Ilhas inferior e o Embasamento deverá ser testemunhado no sentido de dar uma contribuição definitiva ao Estudo da Discordância, que está sendo efetuado pela Seção de Hidrodinâmica. A referida testemunhagem obedecerá um programa maleável, sendo necessária nas evidências de hidrocarbonetos, mudanças abruptas de fácies litológicos e outras anomalias estratigráficas passíveis de estudos através de testemunhos.” 

Fez-se um novo prospecto para o poço, onde foram modificados os objetivos, a profundidade final prevista que agora passava a ser 3.425m no embasamento, e a capacidade da sonda, agora pedida para 4.000m. A estratigrafia prevista seria a que se vê no quadro, que aqui vai confrontada com a encontrada apos a perfuração do poço.

A sonda que perfurou o poço foi uma Bethlehm modelo 1013, com capacidade de perfurar 5.000m, operada pela Petrobras. Como sempre, durante a perfuração do poço, ninguém pôde situar-se na estratigrafia. Os parâmetros de subsuperficie mudaram de profundidade várias vezes, a depender do geólogo que estivesse acompanhando o poço, não permitindo conhecer a posição dos contatos entre as formações postuladas. 

 

Observe-se os pontos de interrogação na tabela. O fenômeno dos fósseis jovens ocorrendo em formações mais antigas continuou a se verificar, e foi constante a ocorrência de petróleo no poço. A correlação com os poços vizinhos foi impossível. A 2.846m a sonda toca o embasamento sem alcançar qualquer dos seus objetivos. Em seguida o poço foi perfilado tamponado e abandonado como seco. O embasamento, que estava sendo esperado a mais de 4.000m de profundidade, estava muito mais raso a 2846m. O relatório final da Paleontologia diz textualmente: 

 

“A partir do testemunho nº 25, até a profundidade de 2820m (98,5% da profundidade total do poço), foram estéreis as amostras. Em 2820-2850 (observar: 100m dentro do Aliança cujo topo está marcado a 2741m), encontram-se Ostracóides de biozonas mais novas que R-10 (001) e outros não diagnósticos. Na última amostra recebida (2850...?) foram encontrados ainda Ostracóides de R-10, junto com outros de R-9 (002).” 

O topo do embasamento está marcado a 2848 (-2728m) e foi furado até 2863m, o que configura 15m de um embasamento “fossilífero”, não com fósseis contemporâneos a sedimentação do embasamento, mas com fósseis do Aliança misturados aos do Candeias médio.

 

O fenômeno chama atenção de qualquer pesquisador: tem alguma coisa errada. Todos errarem tudo ao mesmo tempo.

 

A maior parte da profundidade do poço é estéril mostrando que em algumas partes da Bacia a abundância de fósseis pode ser transformada em raridade devido ao tipo de sedimentação que deu origem à bacia. 

 

Dentro da formação Aliança existem fósseis de biozonas mais novas, o absurdo geológico que estamos demonstrando. Os fósseis estão abrasados de maneira que o seu reconhecimento torna-se difícil. 

 

Dentro do “embasamento” aparecem fósseis do Aliança e do Itaparica juntos, um absurdo duplicado: fosseis de formações diferentes (anacrônicos), e dentro do embasamento... 

 

Bastaria este poço para demonstrar que havia algo completamente fora das leis geológicas que regem a exploração. De fato os fósseis estão misturados por uma razão geológica (que veremos adiante), e por isso são, e devem ser considerados como refossilizados ou seja, eles foram depositados normalmente em uma bacia prévia e, posteriormente, redepositados, e por isso, não podem ser usados como o foram no passado, como parâmetros datadores. 

 

Observemos outras análises paleontológicas de poços situados em diversas regiões da Bacia para mostrar mais evidências do fenômeno da mistura dos fósseis segundo a linguagem dos próprios paleontólogos, da ineficácia dos estudos geofísicos, com grifos nossos. 

ÁREA DE CALDEIRÃO 

1-CAL-1-BA. 

 

Este prospecto originou-se do trabalho da equipe de mapeamento de superfície com o auxílio de furos rasos (EPE-3). A locação não tinha apoio da gravimetria nem da sísmica. Diziam os técnicos daquelas áreas que, a estrutura da superfície não se refletia em profundidade. A estratigrafia original prevista do 1-CAL-1-BA era a seguinte, confrontada com a achada:

Diz o relatório da Paleontologia (documento na pasta do poço): 

 

“Não foram encontrados Ostracóides da zona R-8. Na amostra 2460m-2490m aparece um conjunto de Ostracóides, apresentando formas com preservação diferente, bastante escuros, mal delineados, alguns deformados e desgastados, com indícios de abrasão e rolamento. (para o pesquisador evidencias de redeposição!) Outros espécimes mostram-se mais claros, mas com preservação também precária impedindo a sua determinação precisa. Entretanto, as características ainda perceptíveis parecem sugerir tipos da subzona R-8.1, o que registramos com as devidas restrições. Desta profundidade até 2880-2910m ainda são encontrados estes mesmos elementos esparsos, ao lado de Ostracóides não diagnósticos, fragmentos não identificáveis e Ostracóides de seções mais novas. A subzona R-9.1 está muito bem representada a partir do intervalo 2910-2940m e principalmente no test. nº 02 (2919,5-2922,0m) que apresenta uma abundante fauna, diminuindo em quantidade até a profundidade de 3030-3060m; daí para baixo até 3330-3360m somente são encontrados fragmentos não determináveis, Ostracóides não diagnósticos ao lado de Ostracóides de seções mais novas. Não foram encontrados Ostracóides de R-9.2. Nas amostras 3360-3390m e 3420-3450m aparece em cada uma, um fragmento de Ostracóides não diagnóstico, porém com coloração típica da dos Ostracóides de R-10 (Aliança). No testemunho nº 23, (3363m-3367m) foram encontrados raros fragmentos de folhelho cinza escuros com alguns Ostracóides mal preservados e impossíveis de determinar, mas que não possuem qualquer semelhança com a fauna R-10. Admitindo a possibilidade de contaminação foram preparadas mais três porções do mesmo testemunho, as quais se apresentaram estéreis.” 

 

Os fósseis referidos no último parágrafo já tinham sido identificados ao tempo da perfuração como da fauna associada ao Candeias inferior, o mesmo fenômeno que vinha sendo verificado desde 1959 nos diversos poços perfurados na Bacia. Testemunhos não sofrem contaminação, mas a constatação do fato mostrava que a Lei da Sucessão Faunal continuava em xeque, tornando a estratigrafia definida sobre o perfil elétrico ininteligível. A interpretação estratigráfica feita sobre o perfil elétrico é um erro sério na exploração de petróleo feita na Bacia. Realmente as interpretações feitas sobre o perfil elétrico, como acontece com a sísmica, também estão prejudicadas pelo erro de datação que ocorre nos sedimentos da Bacia do Recôncavo. O relatório do Paleolab parece encomendado pelo pesquisador. É uma demonstração cabal de fósseis retrabalhados ou redepositados, como de fato o são.

ÁREA DE D. JOÃO CENTRAL

 

6-DJC-2-BA 

 

Nesta área (quase 1000 sondagens) selecionamos o poço 6-DJC-2-BA, furado dentro da Baia de Todos os Santos. Este poço, cuja profundidade final seria aos 750m, por erros na estratigrafia, foi perfurado até 847m, quando sofreu um blow out. As estratigrafias previstas e a achadas estão na tabela abaixo, onde podem ser observadas as discrepâncias da desorientação estratigráfica:

Veja-se o esquema acima e compare-se com o Relatório da Paleontologia. 

 

Diz o Relatório: 

 

Relatório da Paleontologia

Moldes indetermináveis na amostra------> 0-30m

Topo da Subzona R-9.2 na amostra-----> 30-60m

 

“Obs: Ostracoides da Subzona R-9.2 (Itaparica) presentes em toda a seção até a profundidade final e como desmoronamento a partir da amostra 210-240m.” (topo do Sergi 192m! Cor azul no esquema do poço!). 

 

Os Ostracoides do Itaparica estão presentes até a profundidade final ou seja, 847m, dentro das formações Sergi e Aliança, e nesse caso dados como desabados para tentar evitar a colisão frontal com a Segunda Lei da Sedimentação. A própria linguagem do Relatório é sintomática: o desmoronamento se dá apenas a partir do topo da areia que foi chamada de Sergi. Fenômeno absolutamente despropositado em Geologia. 

 

Vejamos o relatório da Palinologia: 

 

Palinologia 

   0 a 60m       Zona palinológica 6, correspondente a Itaparica.

210-750m      Desmoronamento!.

 

Obs: 

1. A zona palinológica 6 é muito bem caracterizada, inclusive a parte basal, que raramente se oferece tão completa para estudo.

 

2. Desde 90-120 a 720-750 são determinados palinomorfos de retrabalhamento de zonas paleozóicas, principalmente do Carbonífero Inferior e Devoniano Médio. Impossível. A Bacia é do cretáceo!!!

 

3. Nos intervalos da calha 300 aos 450 e de 600 a 750, encontra-se boa quantidade de pólen da Zona 6 (Itaparica), parte basal e abundantemente palinomorfos do Carbonífero Inferior e De-voniano Médio, como desmoronamento. 

 

Desmoronamento de onde? A bacia é do Cretáceo. Como podem haver fósseis de tempos já há muito ultrapassados?" Entretanto eles existem e podem ser vistos ao microscópio.

 

Chamou-se de “Sergi” uma areia errática que havia aparecido com petróleo inesperado, e a partir dessa profundidade, os fósseis foram dados como desabados... 

 

Acentuemos as irregularidades tendo em conta a observação nº 1 do relatório da Palinologia onde a zona 6 “é muito bem caracterizada...que raramente se oferece tão completa para estudo”:

 

Os fósseis estão misturados em toda a espessura dos sedimentos perfurados.

 

Aparecem palinomorfos, não somente do Cretáceo, mas também do Paleozoico (Carbonífero inferior e Devoniano médio.) 

 

A teoria do desabamento fica desmoralizada, pois não pode haver desabamento de sedimentos não perfurados. 

 

Se a bacia é de idade Cretácea, como explicar a presença de fósseis do Paleozoico? 

 

O 6-DJC-2-BA é um poço produtor de petróleo, e pequenos detalhes, aparentemente, não eram importantes, e por isso podiam passar como desconhecidos. Com tantos erros grosseiros, o petróleo é um caso de pura sorte e da abundancia daquela substancia nos sedimentos da Bacia. Mas, isso tem limites.

 

 

ÁREA DE ROSÁRIO 

 

1-RR-1-BA 

 

Esta área fica ao sul da Bacia, a leste do campo de D.João. 

 

É um poço-exemplo da confusão entre os estudos paleontológicos e a tentativa de determinar onde é o contato entre o Ilhas e Candeias. Não há maneira nem modos de conciliação devido exatamente à misturada dos fósseis existente na Bacia. No pioneiro de Rosário, 1-RR-1-BA, a análise paleontológica termina com a seguinte observação (Documento do poço) reproduzida no Relatório final do geólogo: 

 

“Obs: As determinações paleontológicas do topo do Ilhas inferior e Candeias médio são fornecidos com restrições face a forte contaminação de fósseis dessas formações, que aparecem a partir de 120m. 

 

De acordo com a informação do geólogo do poço, essa contaminação deve-se a utilização de lama de perfuração já usada, transferida do campo de Candeias (Relatório Semanal.3). Lamentamos esse fato, principalmente em se tratando de um poço pioneiro. “

 

Aqui também os fósseis estão misturados dificultando o entendimento da estratigrafia o que se diz no relatório com todas as letras. Apenas que dá origem ao aparecimento de nova teoria para explicar a mistura: a lama de perfuração estaria contaminada... 

 

 

ÁREA DE APRAIUZ 

 

3-APR-3D-BA 

 

Área na parte centro-leste da Bacia, ao norte do Campo de Miranga. 

 

Nesse poço lê-se o seguinte resumo paleontológico: 

 

Subzona RT-008.3                   501- 510m

Topo da subzona RT-007     1110-1140m 

Topo da subzona RT-006     1260-1290m

Topo da subzona RT-004     2220-2250m

 

Seguindo-se a seguinte observação: 

 

“Obs: O poço apresenta uma seção contaminada, abrangendo o intervalo até a profundidade de 1320m com Ostracoides da biozonas RT-003 e também foraminíferos (Paleozoico!). O intervalo foi repreparado, inclusive uma nova remessa de amostras, confirmando-se a contaminação originária da sonda. Posteriormente descobrimos que o poço foi perfurado pela sonda 26, proveniente da RPNE, onde deve ter operado em seções marinhas.

 

A contaminação deve ter sido causada por resíduos de lama deixados no tanque e/ou em tubos de perfuração mal lavados. Apesar dessa forte contaminação, foi possível estabelecer-se a sequência bioestratigrafica normal, embora sujeita a restrições em face do fato citado.”

 

A zona RT-003 pertence a parte profunda da Bacia (antiga R-8 correspondente a Candeias médio.), que não foi perfurada pela sonda, o que criou dificuldades para explicar sua presença na parte rasa da locação. Na impossibilidade de considerar como desabamento, recorreu-se ao expediente já usado em Rosário e D. João: haveria uma contaminação causada por resíduos de lama deixados no tanque e/ou em tubos de perfuração mal lavados. 

 

Na realidade, o fato é mais uma evidência da mistura de fósseis anacrônicos que anula as interpretações estratigráficas feitas sobre o perfil elétrico. Vale notar apenas a versatilidade das explicações: no exemplo anterior o fluido de perfuração tinha vindo de Candeias já contaminada. Neste exemplo, foi a sonda a culpada, pois andara perfurando na RPNE...e voltara contaminada. 

 

ÁREA DE CARIJÓ 

 

1-CJ-1-BA 

 

Foi proposto nesta área, ao sul da Bacia, o poço 1-CJ-1-BA baseado no mapeamento da superfície - feito com ajuda dos fósseis como era praxe - o qual definia a área, a semelhança de Malombê, como recoberta por sedimentos da formação Candeias. O Candeias em superfície configurava um alto estrutural do embasamento. Esperava-se a Zona “A” a 890m e o Sergi a 990m. O geólogo que acompanhou o poço, esperava que os fósseis nas amostras fossem os fósseis característicos da formação Candeias e que o poço fosse raso. Entretanto, durante a perfuração, os relatórios da Paleontologia reportavam fósseis do Ilhas, o que causou perplexidade ao geólogo que acompanhava a perfuração. Pior de tudo havia contradição entre as informações da Palinologia e da Paleontologia. Os pólens indicavam Candeias enquanto os Ostracoides indicavam Ilhas. Os relatórios semanais, até o último, continuaram com um ponto de interrogação para a profundidade do Candeias desde que, nem mesmo os técnicos dos laboratórios sabiam o que estava acontecendo. 

 

A profundidade alcançada terminou aos 2.058m, mais do que o dobro da profundidade prevista sem alcançar o Sergi que fora previsto para 990m, ou seja, sem que os objetivos do poço fossem encontrados ficando a broca pendurada em sedimentos desconhecidos. Este poço proporcionou um estudo paleontológico bastante elaborado, onde constatou-se que os fósseis estavam de fato misturados em virtude de um possível fenômeno de “diapirismo” existente na locação, teoria esta sem qualquer base científica de apoio e em tudo semelhante aos tubos mal lavados, ou que andaram em outras locações voltando de lá contaminadas. Era mais uma tentativa de solucionar o problema dos fosseis misturados.

 

Naquele relatório aparece a seguinte conclusão (ver documento da pasta do poço): 

 

“Damos a descrição detalhada das amostras deste poço por se tratar de um caso particular, em que a seção perfurada apresenta uma grande mistura de fósseis, desde a superfície até mais ou menos 1950m. A partir desta profundidade podem tirar-se conclusões precisas e efetuar determinação segura em vista de as amostras conterem fósseis índices da zona, sem evidência de mistura ou retrabalhamento. Esta feição anômala, evidenciada ao longo de quase toda a coluna bioestratigrafica, sugere fenômeno semelhante ao ocorrido nas áreas de Cinzento e Morro do Barro.” 

 

Realmente o fenômeno ocorre, não somente em Carijó, Cinzento e Morro do Barro. Ele é a característica da Bacia do Recôncavo inteira. Vejamos mais poços com a mesma característica em outras partes da Bacia.

 

 

ÁREA DE SANTA MARIA 

 

1-STM-1-BA 

 

Situada na parte sul da Bacia, nas imediações do Centro Industrial de Aratu. O pioneiro é o 1-STM-1-BA. O Relatório da Paleontologia diz ao final: 

 

“Obs: Como se pode observar desde as amostras iniciais, encontramos mistura de fósseis de biozonas diversas, sem que seja possível dar os limites exatos nem sequer sugerí-los até a profundidade de 3.690m. A partir daí entretanto podemos reconhecer as biozonas R-9.1 e R-9.2 perfeitamente.” 

 

Não é o pesquisador que está deduzindo a mistura de fósseis. São os paleontólogos que constatam a mistura, que corrobora com a conclusão geral: os fosseis dentro da bacia do Recôncavo estão misturados. Observar ainda que, tanto os fósseis podem aparecer misturados como acontece na parte superior da coluna, como podem estar bem preservados em grandes blocos da formação original fornecedora de clásticos para a formação que lhe sucedeu, como acontece a partir dos 3.690m de profundidade.

 

 

ÁREA DE MIRANGA 

 

4-MGL-1-BA 

 

Nesta área, situada na parte centro-leste da Bacia nas imediações do Campo de Água Grande, fica este outro campo de petróleo onde foram furados muitos poços, todos com problemas paleontológicos. Escolhemos para representá-los o 4-MGL-1-BA, cujo relatório da Paleontologia diz: 

“Obs.: A partir de 1380-1410 a 1860-1890m a zona R-5 (Ilhas) está presente com predominância de R-5.2, porém apresentando a ocorrência esparsa de Ostracoides da zona R-8 (Candeias), outros com amplitude muito grande abrangendo as zonas R-6.1 (Ilhas inferior) a R-9.1 (Itaparica) além de um único Ostracoides característico de R-9.1 encontrado no intervalo 1740-1770, . Não foram encontrados Ostracoides característicos de R-6.” 

 

Parece que o relatório foi escrito para comprovar a misturada dos fósseis, não para guiar o geólogo na estratigrafia. Em qualquer parte da Bacia, o fenômeno é exatamente o mesmo! Qualquer poço que seja furado, a mistura de fósseis será evidenciada. 

ÁREA DE ESTAÇÃO DE IRAI 

 

3-EI-4-B

 

Em 3-EI-4-BA, o geólogo marcou o topo do Sergi a 279m e o topo do Aliança a 570m, furando o poço até a profundidade final de 735m. A Paleontologia diz em seu relatório:

Ver a figura  para compreender melhor o fenômeno.

 

Diante da contradição estratigráfica, o Supervisor do Laboratório de Paleontologia emitiu uma comunicação interna dirigida ao geólogo do poço (documento da pasta): 

 

“Informamos-lhe que o topo da formação Aliança está evidenciada a 570-600m, bem como a pre-sença de fósseis de Itaparica, dentro da seção de Sergi do poço EI-4.” 

 

Essa informação torna impossível chamar de Sergi a areia dos 279m. Ela está infestada de fósseis mais jovens e da deposição da referida areia, e isto constitui erro grosseiro de Geologia. 

 

O Sergi é um “intervalo estéril”. A informação dos técnicos é pertinente por dois motivos principais. Neste poço o “Sergi” é fossilífero, e o fóssil é de um tempo posterior à sua deposição e isso constitui erro! 

ÁREA DE NORTE DE IRAI 

 

4-NI-5-BA 

 

No 4-NI-5-BA,o topo do Sergi está marcado a 1853m, e a profundidade final do poço alcançou 1957m. Em um dos relatórios parciais a Paleontologia informou: 

É que o Sergi é uma formação estéril. Entretanto, nesta região, como em outras, não somente a formação é portadora de fósseis, como são eles mais jovens que a sua própria sedimentação. É evidente o erro! 

 

As contradições sobre a estratigrafia na área de Irai provocaram um documento da parte do Laboratório da Paleontologia sob o título “Acontecimentos mais importantes no mês de dezembro de 1963” que diz no primeiro item: (documento na pasta do poço).

 

“1. O poço NI-2-BA mostrou no testemunho nº 02 entre 1031,6 e 1035,8m a fauna de Itaparica; assim o topo do Sergi, marcado para 1018m deve ser mudado. Sugerimos que fossem examinadas mais uma vez os topos do Sergi por meio do E-log em poços adjacentes, para que o topo do Sergi fique bem estabelecido. “

 

As várias advertências dos paleontólogos sobre a ocorrência de fósseis fora dos seus lugares, de nada valeram e a estratigrafia da região continuou desconhecida e a área, produtora de petróleo que é, está abandonada. 

 

 

ÁREA DE LAMARÃO

 

1-LM-1-BA 

 

Nesta área temos dois poços que serão estudados em conjunto. No pioneiro de Lamarão (1-LM-1-BA), situado ao centro-sul da Bacia, diz uma das partes do relatório da Paleontologia (Documentos da pasta do poço): 

 

“A partir de 2.160m tornam-se raros os fósseis em toda a seção do poço. A única evidência de R-8 (dado em base de um exemplar de C.(M) candeiense var Spinigera) foi encontrada na amostra 4080-4110. Abaixo desta profundidade apenas se constatou a existência de fósseis desmoronados de R-6, havendo também outros não identificáveis pela má preservação.” 

 

A Zona R-6 é mais jovem do que a R-8 e não pode ocorrer nesta posição (ver quadro). Notar ainda a profundidade onde foi encontrado o único fóssil do Candeias: a mais de 4km de profundidade.  

 

Vejamos o segundo poço observando o que diz o relatório paleontológico do mesmo (1-LM-2-BA): 

 

“Desde a superfície até a profundidade de 240m foi observada a presença de Ostracoides das zonas R-8 (Candeias) e R-9 (Itaparica) misturados aos de R-2 (S. Sebastião). Na amostra 420-450m foram encontrados exemplares típicos da subzona R-4.1 (Ilhas superior parte superior). Na 480-510 Ostracoides de R-8 (Candeias médio) e de 630 a 660 Ostracoides de R-5 (Ilhas).”  

 

No primeiro poço, achou-se um fóssil R-8 a mais de 4100m de profundidade e assim foi determinada a formação Candeias. No segundo poço, pioneiro adjacente do primeiro, os fósseis Candeias estão presentes desde a superfície, misturados aos fósseis do Itaparica, fósseis de S. Sebastião e nas partes mais profundas, junto com fósseis do tempo Ilhas tornando-se um problema nomear qual a formação que está sendo estudada ou datar qualquer coisa, porque, obviamente, os fósseis estão misturados, não interpretativamente pelo pesquisador, mas na linguagem clara dos próprios cientistas da paleontologia.

ÁREA DE D.JOÃO 

 

1-DJX-6-BA

 

Nesta área, quase mil poços têm o mesmo problema. O 1-DJX-6-BA representa-os bem. A estratigrafia prevista, confrontada com a achada, é a seguinte: 

Obs: A determinação paleontológica do topo da Zona R-8 torna-se difícil não só pela pobreza da fauna como pela ocorrência de fósseis retrabalhados desta seção dentro da Zona R-6”. 

 

Veja-se na segunda tabela o Relatório da Paleontologia as mesmas incorreções geológicas e as mesmas incertezas: Geologicamente impossível a Zona R-8 dentro da Zona R-6. É um erro grave de estratigrafia que precisa ser corrigido. Por isso o ponto de interrogação ao lado do “Topo da Zona R-8” que se observa na tabela. Os fósseis Candeias e Ilhas estão misturados e quem o diz é o relatório dos próprios paleontólogos. Neste caso, não houve desabamento. Os fósseis de R-8 foram dados como retrabalhados o que implica em redeposição, uma teoria não justificada pelos paleontólogos. A mistura dos fósseis verifica-se desde a superfície, dificultando a separação das formações Ilhas e Candeias. Note-se ainda a pobreza da fauna. 

 

 

ÁREA DE MALOMBÊ 

 

3-ML-6-BA 

 

Área situada ao norte da Bacia onde afloram sedimentos Candeias recobertos por delgada camada de sedimentos da formação Barreiras. Em outras palavras, somente a parte inferior da coluna estratigráfica, de Candeias para baixo, ocorre na área. Da parte superior, somente o Barreiras se acha presente. 

3-ML-6-BA (Malombê nº 6) - A estratigrafia prevista/achada é a seguinte:

Observar que antes de perfurar o poço, o prospecto dá a impressão de que a área era bem conhecida. Depois da perfuração observa-se que nada do que foi previsto aconteceu o que mostrava que a área era, realmente, desconhecida. 

 

As formações que se pensava existirem não existiam, mas existia uma falha que ninguém pensava existir. Nem mesmo os técnicos da Sísmica. 

 

O poço deveria atingir o Sergi aos 1000m e terminar a 1100. Terminou a 1250m dentro de uma formação que não fora prevista: o Aliança. 

 

O Itaparica está ausente por falha, mas seus fósseis foram achados pelos paleontólogos. Pior de tudo, dentro do que foi chamado de formação Aliança, uma impossibilidade geológica. 

 

Observe-se o Relatório da Paleontologia para mais perplexidade: 

 

Poço iniciado na Zona R-6.1

Seguindo-se esta observação: 

 

“Não sabemos se os ostracoides da Zona R-8 encontrados no intervalo 30-60m são provenientes de contaminação, hipótese esta que é mais aceitável dado a ocorrência ser de apenas dois (2) ostracoides com predominância da fauna R-6.1. Neste caso é mais lógico dar o topo de R-8 em 150-180m. Como aconteceu com o poço 3-ML-3-BA, a subzona R-8.1 apresenta-se bastante espessa. A zona R-9 não apresenta ostracoides de qualquer das suas duas (2) subzonas.” 

 

A incerteza do paleontólogo vem do fato da área ter sido mapeada com clásticos do tempo Candeias à superfície, mais antigo que o Ilhas, não se justificando a presença dos fósseis do Ilhas especialmente com predominância. Entretanto eles foram encontrados, daí a contaminação, que deveria ser dos fósseis Ilhas (desde que a área é mapeada como Candeias!) e não o contrário como foi apresentado. Em fevereiro de 1969 outro relatório da Paleontologia sugeria a espessura das diversas formações, inclusive a da formação Itaparica entre 1110m-1260m. Esta formação está falhada no poço, ou seja ela está ausente da coluna estratigráfica por efeito do falhamento, o que coloca os fósseis Itaparica dentro da formação Aliança, informação que resvala para o surrealismo geológico. Impossível. E se a formação está falhada, ou seja, ausente da seção, como explicar a presença dos seus fósseis? 

 

Aparentemente, mas só aparentemente, detalhes sem importância. O fenômeno se repete no 1-ML-1-BA e no 3-ML-2-BA, quando os fósseis do Itaparica, também aparecem até o fundo do poço, passando por dentro da espessura da formação Sergi. É evidente o erro do mapeamento. Com mapas errados, descobrir petróleo é pura sorte...e muito petróleo.

 

 

ÁREA DE PROGRESSO 

 

1-PE-1-BA

 

Esta área fica situada na parte centro-leste da Bacia, 5km ao sul do Campo de Araçás. 

Especificamente, no poço 1-PE-1-BA, após o recebimento de um rádio do laboratório de paleontologia informando que, (Documento da pasta do poço) 

 

“...último intervalo examinado 2280-2310. Desmoronamento do Ilhas superior parte inferior”, 

 

O geólogo do poço escreveu carta mal humorada ao seu supervisor (documento na pasta do poço), tecendo críticas ao laboratório da Paleontologia, chamando atenção para o fato de que o intervalo de onde teriam desmoronado os fósseis do Ilhas superior parte inferior, já estava revestido com tubos de aço, tornando impossível o desmoronamento.

 

A observação é nossa: é mais simples e coerente admitir que os fósseis estão misturados e por isso podem aparecer a qualquer profundidade, do que tentar justificativas que soam impertinentes.

FAZENDA MANGUEIRA 

 

1-FM-1-BA 

 

Este poço 1-FM-1-BA fica situado na mesma latitude dos poços de Lamarão e D. João na borda leste da Bacia, área onde hoje se localiza o Polo Petroquímico de Camaçari. Vamos apreciá-lo sob dois pontos de vista exploratórios, sísmico e paleontológico, suas interrelações e influências. É um prospecto de 1964 que diz:  

 

“...baseado em trabalhos sísmicos de reflexão que delineou... ...A profundidade final será no embasamento esperado a aproximadamente 3600m de profundidade... ...objetivos desta locação são a Formação Sergi e a Zona “A” bem como os arenitos erráticos das Formações Ilhas e Candeias, visando também um melhor conhecimento da estratigrafia ao sul do trend Mata/Catu. A profundidade final será no embasamento, cujo topo é esperado a 3600m. Recomenda-se uma sonda com capacidade de 4000m para uma boa margem de segurança.” 

 

O sumário estratigráfico prevê todas as formações conhecidas da coluna geológica da bacia até o embasamento. A sonda 14, com capacidade de perfurar 5000m, foi a encarregada da perfuração. O poço foi tamponado e abandonado como seco a 4.704m de profundidade, 1.104m além da previsão inicial, sem encontrar qualquer dos objetivos esperados, inclusive o embasamento. A sonda ficou pendurada em sedimentos desconhecidos.

 

Quando o poço chegou a profundidade de 3315m, próximo ao embasamento previsto pela sísmica, a Paleontologia verificou e informou que os fósseis ainda eram do Ilhas superior (parte rasa da Bacia), mas que seriam desmoronados, devido a perplexidade causada pela notícia. Pouco antes, os geofísicos responsáveis pela locação redigiram um expediente (documento na pasta do poço) justificando alguns pontos de vista e reformulando as interpretações, como aconteceria mais tarde em outras locações (locações de 1-CAB-1-BA e Jacuípe): 

 

“Sob o ponto de vista da sísmica, lembramos que o mapa do embasamento utilizado, quando da aprovação de Fazenda Mangueira e Jacuípe Sul, baseou-se fortemente na informação de refração no local, na suposição de que os mesmos refletissem em essência a situação real ou aproximada do embasamento. Como resultante este mapa deixou de considerar reflexões mais profundas que o nível indicado por refração... “

 

Argumentando que as análises paleontológicas indicavam que o poço ainda estava perfurando o Ilhas superior, e que ainda faltavam as formações do Grupo Sto. Amaro (Candeias e Itaparica), arguía-se que o embasamento poderia ser encontrado a mais de 5000m de profundidade, ou seja, além da capacidade de perfuração da sonda no14. A Paleontologia confirmaria seus resultados com muita ênfase: 

 

“...o poço terminou dentro da Formação Ilhas superior, parte inferior a profundidade de 4702m.” 

 

Ressaltou ainda que dentro das camadas de conglomerados não foram encontrados Ostracoides, mas nos folhelhos aparecidos dentro do conglomerado, os fósseis achavam-se muito bem preservados... 

 

“...permitindo uma fácil e segura determinação bioestratigrafica. É interessante observar que a despeito da grande profundidade atingida por este poço, a contaminação por desmoronamento é praticamente nula não prejudicando a identificação das formações S. Sebastião e Ilhas, apesar das dúvidas surgidas quanto a excessiva espessura das formações S. Sebastião e Ilhas obtidas com base nas determinações paleontológicas. Nenhuma evidência forte existe que modifique os resultados da micropaleontologia. Até que novos fatos surjam consideraremos como definitivas as informações contidas no resumo acima indicado. Convém assinalar o fato, para nós importante, de que pela primeira vez foram encontrados ostracoides com boa preservação, em profundidades maiores que 4000m, contrariando o conceito de que, em áreas com espesso pacote sedimentar, os fósseis não resistiriam à compactação dos sedimentos. A fauna encontrada surgiu à profundidade de 3960-3975m, o poço tem revestimento intermediário até 2003m, o que exclui a possibilidade de desmoronamento das camadas superiores. Tal fato abre novas perspectivas para a identificação das formações em poços profundos.” 

 

Em Fazenda Mangueira, a bacia está emborcada ou de cabeça para baixo. Não são os fósseis antigos que aparecem nas camadas superficiais, ao contrário. São os mais jovens que se aprofundam. Por estarem misturados nas três dimensões é impossível predizer o aparecimento ou desaparecimento de qualquer biozona. Observe-se ainda que neste poço o revestimento intermediário 

 

“...exclui a possibilidade de desmoronamento das camadas superiores.” 

 

Vale lembrar o prospecto de Capianga onde o geólogo que acompanhou o poço quase foi demitido por sacar uma falha que colocava o Ilhas contra o Sergi devido à desordem dos fósseis no volume dos sedimentos da Bacia. Mapas errados são antieconômicos.

ÁREA DE CINZENTO 

 

1-CZ-1-BA

 

Nesta área, nos arredores do Centro Industrial de Aratu na parte sul da Bacia, foram furados, à época deste estudo, dois poços. O primeiro (1-CZ-1-BA) é um poço profundo com 4430m, e como em Fazenda Mangueira, sem qualquer definição estratigráfica.

 

O relatório da Paleontologia diz textualmente: 

 

“Obs: Este poço apresenta um sério problema de retrabalhamento de sedimentos o que torna difícil ou mesmo impossível a obtenção de resultados paleontológicos precisos, pois os ostracoides apresentam a preservação original. Desde a primeira amostra encontram-se ostracoides de diversas biozonas, numa clara evidência de desordem estratigráfica, onde a sequência sedimentar mostra-se amplamente perturbada. Não existe predominância de ostracoides de determinada zona, pois a frequência dos mesmos é variável neste poço. Nota-se porém, que até a profundidade de 300m encontram-se apenas ostracoides das zonas R-6 (Ilhas basal) e R-8 (Candeias). Entretanto, abaixo dos 300m começam a surgir fósseis da zona R-5 e, principalmente da zona R-5.2. Mesmo abaixo do intervalo com revestimento intermediário (1832m) ainda encontramos ostracoides das três zonas citadas com ligeira redução dos tipos da zona R-8. “

 

O relatório final do geólogo diz textualmente (pg. 6): 

 

“A mesma ocorrência misturada de fósseis existente na Formação Ilhas, continua persistente na Formação Candeias, sem possibilidade de definição paleontológica, apenas litológica. Pertence ao Cretáceo inferior.”

 

Observar que a misturada de fósseis continua a aparecer, mesmo abaixo do intervalo revestido, como em Progresso e Fazenda Mangueira evidenciando um fenômeno abrangente. 

 

O segundo poço da área, 1-CZ-2-BA, tem o seguinte resultado paleontológico: 

 

“Obs. Não houve possibilidade de estabelecer topos de zonas de ostracoides. Apenas foi constatada a presença dos mesmos formando uma miscelânea sem sequência estratigráfica.” 

 

Algumas vezes a mistura de fósseis é muito clara, que não há necessidade de explicações. 

 

 

ÁREA DE BURACICA 

 

7-BA-184-BA

 

Esta área fica 5km sudoeste da cidade de Alagoinhas no noroeste da Bacia. O poço 7-BA-184-BA seria um poço externo no flanco oeste do campo, que visava testar um bloco interpretado como rebaixado aos níveis dos topos das formações Itaparica e Sergi (Ver documentos da pasta do poço). O item 4 da Ata da Reunião da Comissão de Completação e de Abandono de Poços de Desenvolvimento diz: 

 

"A seção estratigráfica atravessada apresentou-se anômala: foram atravessados sedimentos do Grupo Ilhas e da Formação Candeias, penetrando aos 269m em uma seção pelítica vermelha de características litológicas da Formação Aliança (inclusive dados paleontológicos situaram essa seção no Andar D.João-RT-001) que persistiu até os 700m. A partir de então foi atravessada a seção normal da formação Sergi (zonas F a H) e da Formação Aliança, com seus membros Capianga, Boipeba e Afligidos, tendo encerrado a perfuração neste último, já bastante próximo ao embasamento." 

 

A situação descrita inverte a estratigrafia da Bacia colocando o Aliança sobre o Sergi tendo-se de admitir uma falha reversa dentro da Bacia sem uma justificativa teórica para amparar a ideia. 

 

A Paleontologia confirmou a estranha inversão.

 

Evidentemente que não existe a inversão. Os fósseis é que estão misturados e aparecem em qualquer profundidade. São eles fruto de redeposição e têm de ser reportados como refossilizações, sem evidenciar qualidades ambientais e muito menos caracterizar e/ou datar qualquer coisa. 

 

 

ÁREA DE FAZENDA IMBÉ 

 

1-FI-1-BA 

 

É outro campo de petróleo com algumas dezenas de poços. O pioneiro, 1-FI-1-BA é um poço de 1963 com a seguinte estratigrafia prevista/achada: 

Diz o Resumo da Paleontologia sobre os resultados do poço: 

 

Ostracóides

Evidente que, até o fundo do poço, os fósseis misturados são de seções mais novas sendo por isso dados como desmoronados pois é antigeológico reportá-los àquelas profundidades, junto com formações mais antigas. Apenas que não há o desmoronamento do poço, os fósseis é que estão misturados e os geólogos ignoram o fato. 

 

Apesar de todos os erros contra a geologia, o poço foi o descobridor de um novo campo e ninguém queria saber se estava certo ou errada a datação dos sedimentos, como se isso nao tivesse consequências futuras.

ÁREA DE FAZENDA AZEVEDO 

 

1-FA-1-BA 

 

Situa-se esta área ao norte do Campo de Imbé e tem os mesmos problemas dos outros poços da Bacia: O pioneiro do campo é o 1-FA-1-BA

Ainda aqui repete-se a mistura dos fósseis anacrônicos explicados pela teoria tola do desmoronamento.

 

FA-5 E FA-5R 

 

Nesta mesma área há um caso interessante. Durante a perfuração do poço FA-5, houve um acidente na sonda quando o poço estava a 1909m de profundidade. Desde o intervalo 1410-1440m, o laboratório da Paleontologia informava que os fósseis presentes nas amostras eram possivelmente do Candeias ou R-8.

 

O acidente provocou a mudança de lugar original da sonda, para outro, 40m ao norte do primeiro, que tomou a sigla FA-5R (o R quer dizer repetição). Neste Repetição a Paleontologia foi encontrar o primeiro fóssil Candeias a 2100-2130m de profundidade, ou 700m de intervalo vertical entre poços distantes 40m horizontalmente. Dizendo: 

 

“...Somos obrigados mais uma vez a discordar dos dados paleontológicos... “(Relatório semanal nº 05) 

 

O geólogo colocou o topo do Candeias a 1704m de profundidade. Na oitava semana de perfuração, muda o geólogo e com ele também muda o topo da formação Candeias para 1885m e no relatório final ficou este parâmetro a 1820m, sem que as análises paleontológicas influenciassem minimamente aquela decisão.

 

Não havia nenhuma disciplina no mapeamento, porque, ninguém compreendia o que se passava na paleontologia, mesmo as chefias.

 

Se o critério (Zona Diferencial Superior) para marcar o topo de uma formação (o aparecimento do fóssil ligado à formação) fosse obedecido, como explicar a variação do topo do Candeias neste caso? Tivesse sido perfurado apenas o primeiro poço acidentado, o contato do Candeias poderia ter ficado na primeira ocorrência do fóssil (1440m). O acidente com a perfuração mostrou que a variação espacial da ocorrência dos fósseis dentro da Bacia é tão grande, que é melhor, mais fácil e mais inteligente, considerar os fósseis misturados, do que julgá-los sincrônicos com as supostas formações da coluna estratigráfica ortodoxa usada na exploração. 

ÁREA DE BOM LUGAR 

 

1-BL-3-BA. 

 

O pioneiro 1-BL-3-BA, cuja seção geológica prevista/achada é a seguinte: 

A profundidade final, segundo o prospecto, seria a 2600m na formação Candeias. Recomenda-se uma sonda para 3000m. Vai para a locação a sonda 65, com capacidade para perfurar 3.000m.

 

Transcrição do Relatório Final: 

 

“...A profundidade final prevista era de 2600m, na formação Candeias. Entretanto, após ser penetrado o topo da formação Candeias, como o Laboratório da Paleontologia indicasse para o intervalo 2610-2640m a sub-zona R-9.1 (Candeias inferior), decidiu-se que o poço fosse perfurado até o Sergi."

 

A profundidade final do poço foi de 3238,5m (638m além do previsto e 238m além da capacidade de perfuração da sonda) no... Embasamento Cristalino. A formação Candeias, que fora penetrada a 2580m, foi encontrada diretamente em contato com o Embasamento cristalino a 3236m.

 

O Relatório da Paleontologia, após a Zona R-6 diz: 

 

Topo da zona             R-6 1800-1830m

Topo da sub-zona      R-6.1 2340-2370m

Topo da sub-zona      R-9.1 Testemunho nº 6, 2557,0/2559,8

 

Observação: Não foram encontrados ostracoides característicos da zona R-8. A sub-zona R-9.1 está bem representada principalmente no intervalo 2580-2610 e 2670-2700m; daí até as últimas amostras são encontrados, esparsos elementos característicos de R-9.1 ao lado de ostracoides não diagnósticos, fragmentos mal preservados e ostracoides de seções mais novas. Não foram encontrados ostracoides da sub-zona R-9.2.” 

 

Transcrição do Relatório Final do poço: 

 

“Estão ausentes por falha as formações Aliança, Sergi, Itaparica e possivelmente a parte basal da formação Candeias. Esta última formação apresentou um zoneamento paleontológico anômalo, com a sub-zona R-9.1 próxima a seu topo, havendo ausência total da zona R-8.” 

 

Zoneamento paleontológico anômalo é a maneira eufemística dos paleontólogos, referirem-se ao problema dos fósseis misturados, que arrasam qualquer possibilidade de definição e interpretação estratigráfica e de sucesso exploratório. Outro ponto interessante: a zona R-8 correspondente ao Candeias está ausente mas a formação está presente, acontecendo o contrário com o Itaparica que está ausente da coluna por efeito de um “falhamento”, mas os fósseis correspondentes àquela formação estão presentes nas amostras coletadas durante a perfuração e examinadas no laboratório. Como explicar o fenômeno? Provavelmente não é possível explicá-lo. Mas fica explicado porque a exploração da Bacia do Recôncavo é tão difícil. 

ÁREA DE IRAI 

 

1-IR-1-BA 

 

O pioneiro da área é o 1-IR-1-BA - Irai nº 01. A estratigrafia prevista/ achada é a seguinte:

A falta do Itaparica e do Sergi foram explicados por falhamento, porque o poço não encontrou os seus objetivos. 

 

“Resultados Palinológicos."

 

Amostras de calha:

 

1230-1290m   Zona palinológica 4 sup. i.é. Ilhas inferior.

1290-1350m   Zona palinológica 5 sup e média ou Candeias. 

 

Obs: de 1359 a 1545m Aliança médio, sem resultado Palinológico definitivo.

 

Ostracóides:

Segue a observação: 

 

“Segundo o log elétrico o poço penetrou a partir de 1359m no Aliança, parte média, o que não pode ser provado por micro fósseis, porque os mesmos não existem nessa parte da Fm. Aliança.”

 

O topo do Aliança está marcado a 1359m, mas até o fundo do poço, a 1545m os fósseis analisados são do Candeias médio, dados como desmoronados.

 

De fato, é impossível a ocorrência de fósseis do tempo Candeias dentro do Aliança, pois, ao tempo da sedimentação do Aliança, os fósseis do tempo Candeias ainda não existiam, não podendo por isso fossilizarem. O paleontólogo chama atenção para o fato, pois sua maior intimidade com o assunto diz-lhe que é errado assim proceder.

 

No capítulo das correlações diz o geólogo: 

 

“The stratigraphic section in this well is completely different from its counterpart in EI-1 (Estação de Iraí-1, outro poço da área). No positive E-log correlation can be made.” 

 

1-IR-2-BA 

 

Em 1-IR-2-BA, o topo do Sergi está marcado a 1202m, mas até o fundo do poço, a 1270m de profundidade, somente ocorrem fósseis do Candeias inferior que a partir de 1200m, foram dados como desmoronados, o modo paleontológico de justificar o absurdo. 

ESTAÇÃO DE IRAI 

 

3-EI-1-BA 

 

Em Estação de Irai 1, 3-EI-1-BA, a 4,5km sul do poço acima, havia problema semelhante. O topo do arenito Sergi fora marcado a 417m, e no relatório final do poço, no resumo paleontológico, há o seguinte:

“ Primeiros ostracoides de Itaparica entre 420 e 435m. Observação: em virtude de estar a amostra de Itaparica já no Sergi, a indicação de Itaparica significa somente a presença dessa formação talvez entre 405-417m com espessura pequena.” 

 

Os paleontólogos tentavam “livrar a cara” do grave erro de constatar a ocorrência de fósseis jovens em formações antigas como no caso acima. 

 

No 3-EI-3-BA, o topo do Sergi está marcado a 218m, e o poço tem a profundidade final em 700m. O relatório da Paleontologia diz: 

 

“150-180m   Provavelmente Candeias inferior 

 180-270m   Ostracoides não diagnósticos. Possivelmente desmoronamento.”

 

A Palinologia confirma: 

 

  90-120m     Zona palinológica 5 média, parte inferior correspondente a Candeias médio parte inferior;

120-240m     Zona palinológica 5 inferior correspondente a Candeias inferior.”

 

 

NORTE DE IRAÍ 

 

1-NI-1-BA 

 

Na área de Norte de Iraí, o prospecto do pioneiro, geologicamente falando na mesma área dos dois poços antes estudados, diz o seguinte na parte da estratigrafia prevista/achada: 

O relatório da Paleontologia revela: 

 

“O testemunho nº 02, retirado na profundidade de 806,3-810,8 portanto dentro do Sergi, (topo marcado a 792m ou -450m), apresentou pólens do Candeias inferior.” 

 

Trata-se do mesmo caso que viemos analisando desde o princípio: fósseis ocorrendo fora das formações originais ou seja, a repetição do erro grave de estratigrafia primária. A informação do Laboratório tenta chamar atenção do geólogo responsável pelo mapeamento, para o erro que estava cometendo. É impossível a ocorrência de fósseis jovens em formações antigas. Isso colide frontalmente com a Segunda Lei da Sedimentação, e o relatório reflete a preocupação do paleontólogo, infelizmente, sem nenhum sucesso. 

 

4-NI-3-BA 

 

Diz o relatório da Paleontologia do poço 4-NI-3-BA

“Observação: Os testemunhos números 2 e 3 entre 1286 e 1289m considerados como pertencentes ao Sergi, mostraram ostracoides do Candeias inferior ou provavelmente Itaparica.” 

 

Este resultado é corroborado pelo exame palinológico que diz: 

 

“Testemunhos números 2 e 3 provavelmente zona palinológica 5 correspondente a Candeias inferior, ou provavelmente zona palinológica 6, correspondente a Itaparica”. 

 

Aviso que não foi levado em consideração, constituindo apenas a repetição monótona do mesmo fenômeno que estamos demonstrando existir ao longo desta pesquisa, e configura um erro estratigráfico primário mas de importância crucial e fundamental para a pesquisa do petróleo como vamos demonstrar.

 

4-NI-4-BA 

 

No poço 4-NI-4-BA, o topo do Sergi está marcado a 1038m. O relatório paleontológico diz: 

 

“Testemunho nº 03, 1044-1048m ostracoides mal preservados não determináveis;

 

Testemunho nº04, 1048-1052m, ostracoides mal preservados não determináveis.” 

 

A Palinologia informa: 

 

“Testemunho nº 04, 1048-1052m Zona palinológica nº 06, correspondente a Itaparica.” 

 

Quantos poços forem furados e quantas amostras forem examinadas tantas vezes o fenômeno se repetirá. A conclusão da pesquisa é cristalina e definitiva: 

 

 

Os fósseis existentes dentro da Bacia do Recôncavo estão desordenados, isto é, não obedecem a ordem original da sua deposição e fossilização, ou seja, não obedecem a 2ª Lei da Sedimentação. Geologicamente falando os fósseis existentes dentro da Bacia do Recôncavo e as bacias a ela correlacionadas SÃO REFOSSILIZAÇÕES, e não servem para datar eventos geológicos. A misturada dos fósseis evidencia outro tipo de fenômeno (que será estudado mais tarde), mas nada tem a ver com datação.

 

Esta conclusão anula a possibilidade de relacionar os fósseis com os sedimentos onde eles ocorrem, justificando o insucesso das previsões feitas nos prospectos.

 

Não há “desabamentos”, tanques mal lavados, tubos contaminados, falhas, discordâncias e outras justificativas não geológicas para justificar os desacertos cometidos na Bacia.

As supostas formações descritas nos relatórios técnicos que norteiam a pesquisa de petróleo, tanto no Recôncavo como nas outras bacias brasileiras são fictícias, não existem, e isso prejudica o serviço de pesquisa de petróleo.