Tempo Geológico

Determinado o que é a Formação vamos compreender o que é Tempo Geológico, distingui-lo do tempo humano e observar a relação entre os dois conceitos.

 

Qualquer fato histórico tem uma relação temporal e a história geológica não é exceção. Vejamos a solução encontrada para quantificar o tempo geológico e poder contar a História da Terra em sequência. Observar que na parte da história que rememoramos acima não empregamos nenhuma vez as palavras  “milhões de anos”. Também não o faremos em qualquer outra parte do trabalho. Por quê? Porque tempo geológico não é contado em número de anos! Não somente é inadequado, mas, principalmente, é errado fazê-lo.

Contar o tempo em número de anos é uma maneira de referir-se ao tempo no cotidiano da humanidade, e os não-geólogos a estendem, arbitrariamente, aos acontecimentos da Geologia, criando complicação. O balizamento da idade das coisas humanas é orientado por celebrações religiosas, e cada povo tem um paradigma, por isso existem vários calendários.  Não tem sentido medir-se o tempo geológico dessa maneira.

 

Para solucionar o problema de quantificar o tempo do desenvolvimento de fatos geológicos foi preciso encontrar um padrão para balizar esses fatos, que não fossem a existência os animais e/ou as marcas dos seus cadáveres, como faz a paleontologia, ou o nascimento e morte de santos como fazem os religiosos. Em geologia esse padrão é marcado pelo aparecimento das rochas das formações geológicas estratigraficamente ordenadas. Elas dão a possibilidade de deduzir a sequência dos fatos e a duração dos mesmos.

Sendo assim, o Tempo geológico é contado em função do aparecimento de cada uma das rochas que formam a crosta, e a imaginação nos dirá se ele é um tempo longo ou curto, e ordenará os acontecimentos e fatos dos tempos passados, sem conotação com os padrões humanos.

 

O empilhamento ou ordenamento das rochas que ocorrem no território brasileiro (e em outros continentes) mostra que existem onze, e somente onze, formações geológicas formando a crosta terrestre. Neste trabalho escolhemos nomear as formações com os nomes das onze primeiras letras do alfabeto grego, que dão o sentido de ordem e são empregadas normalmente em trabalhos científicos.

 

Ao inicio registrado da historia geológica, o globo é formado de matéria totalmente fluida. A esfera incandescente formada de duas espécies de magma e a sua atmosfera formada de três espécies de gases. Os dois magmas se distinguem pela cor negra do primeiro, que é, também, o mais denso, a textura afanítica e a extensão de 75% da superfície do globo. Os 25% restantes da superfície são cobertos pelo outro magma, de cor clara, textura granítica, grosseira, menos denso que o primeiro e por esta razão sobressai com topografia saliente relativo ao primeiro magma.

Menos energia na superfície e se aproxima a atmosfera formada de gases e a agua em forma de vapor. A agua mantém-se à superfície ocupando as partes baixas da topografia formando o mar inicial – Pantalassa – enquanto a atmosfera gasosa e seus gases pesados – carbono e nitrogênio continuam flutuando acima e próximos dos mares e continentes. Este é o panorama no fim do período Prepangæiânico.

 

Uma observação: a rocha basáltica inicial, que formava o fundo do mar original de água doce, desapareceu da superfície, e veremos porque, como e quando isso aconteceu. Por essa razão aquela formação não foi nomeada.

 

A rocha granítica que se formou no início e permaneceu na superfície é a origem de todas as outras rochas, sendo adequado o nome genérico de embasamento, usado comumente. É a Formação Alpha, como nomeada neste trabalho. Ela é a formação geradora e a base onde se apoiam ou se assentam todas as outras formações, exceto a formação basáltica, que tem a sua origem no interior do globo e compõe o leito dos oceanos, depois da fragmentação continental.

 

As rochas granítica e basáltica repousam sobre o magma do interior do globo formando delgadíssima capa rochosa, a conhecida litosfera. Muito importante observar: não há rocha basáltica sob a rocha granítica. Ambas flutuam sobre o manto de magma basáltico!

Veja a figura da Coluna Estratigráfica Global para acompanhar a maneira de tratar o conjunto rocha/tempo.

 

Já visto, a primeira formação, de baixo para cima, demos o nome da primeira letra do alfabeto grego, Alpha. Seguem-se três de origem clástica, que chamamos Beta, Delta e Épsilon, e uma basáltica, Gamma, que ocorre entre Beta e Delta. Cada formação dá origem a um período de tempo geológico, chamado pelo nome da formação com a terminação iano. Essas cinco formações se estruturaram ainda ao tempo da paleogeografia e formaram um grupo de rochas, correspondente a uma Era de tempo.

 

Como o grupo se formou ainda na paleogeografia, ao tempo do monocontinente ou Pangæa,  ele é geneticamente ligado a Era Pangæiânica.

As outras seis formações, Zeta, Eta, Theta, Jota, Kappa e Lambda, surgiram como resultado da movimentação do continente americano do sul, durante e após a separação continental, que deu lugar ao aparecimento do oceano Atlântico. Por essa razão, esse grupo de formações faz parte da Era Atlantiânica, e os períodos de tempo correspondentes às formações são o Zetaiano, Etaiano, Thetaiano, Jotaiano, o Kappaiano, e o Lambdaiano, no qual vivemos atualmente.

 

Em síntese, o Tempo geológico fica dividido em 3 Eras e 11 Períodos de tempo,  sendo a Era Prepangæiânica, a 1ª Era, a única sem registro, pois naquele tempo ainda não existiam as rochas, ou os registros geológicos. É o período de cristalização das rochas. Na 2ª Era apareceram cinco registros, e na 3ª os seis últimos  registros de tempo.

 

Resumindo: cada Era, reunião de períodos, é nomeada por um nome escolhido adequadamente, com a terminação IÂNICA. Os períodos tomam o nome da formação com a terminação IANO.

 

Dessa maneira, conseguimos construir um quadro sintético das formações com o título de Coluna Estratigráfica Global na qual é mostrada a sucessão temporal das rochas que formam a crosta do globo terrestre, e ela será a base para reconstruir a História Geológica, em seus detalhes.

 

Observemos algo importante: o estudo foi iniciado na Bacia do Recôncavo, mas a coluna estratigráfica é global e não particular ou feita para a Bacia. Esta sequência e suas variações deverá se repetir em todo o globo, e elas deverão aparecer no mapa que for feito para cada região mapeada, recuperando a história geológica da mesma, mas é um trabalho para os jovens de hoje, os pesquisadores do futuro, tanto aqui, como em outros países.

 

A partir dessas novas ideias surgidas através do estudo da Bacia do Recôncavo foi possível iniciar a busca da HISTÓRIA GEOLÓGICA com todos os seus Períodos e Eras, assunto que veremos com todos os detalhes possíveis, inclusive as características de cada formação e a sua relação com o petróleo. 

 

Veremos no próximo texto o Código de Nomenclatura Estratigráfica que resultou deste estudo.