Era Pangæiânica

Este texto é a continuação da Historia Geológica como deduzida da solução encontrada para o problema da mistura de fósseis existente nos sedimentos da Bacia do Recôncavo. Veremos os movimentos verticais em Pangæa ou formação Alpha.

 

Vimos que a Formação Alpha surgiu como uma ilha rochosa resultado da solidificação do magma siálico como mostrado na figura, quando se iniciam os processos de sedimentação.

 

A litosfera isolou o magma basáltico no interior do globo e a gravidade continua aumentando a pressão sobre o núcleo, e consequentemente aumentando a temperatura e os movimentos convectivos do magma do manto.

 

Um desses movimentos do magma no manto atinge a base da formação Alpha, determinando o primeiro embaciamento, onde se reúnem aguas formando um lago continental, e sedimentos trazidos pelas correntes formadas na superfície. Tais sedimentos são formados por minerais e os primeiros sedimentos orgânicos resultantes da sedimentação da atmosfera que formarão os primeiros hidrocarbonetos sem expressão quantitativa. 

 

Os primeiros sedimentos formam Beta, a primeira formação clástica sobre Alpha.

 

Os processos vitais continuam o seu trabalho, mas no período Betaiano a vida ainda é incipiente. A quantidade de seres viventes ainda é pequena, por isso é pouca a quantidade de lixo orgânico formado em superfície, e como consequência a acumulação de energia em subsuperfície, na forma de petróleo, ainda é diminuta. Fósseis desse tempo - pólens e esporos - foram determinados nos sedimentos estudados no Recôncavo e as rochas existem no campo. Elas são de textura fina e estrutura laminada, formando camadas bem definidas. 

 

O movimento na crosta terrestre indica e determina o fim do Período Betaiano e inícia-se o tempo Gammaiano, quando se estrutura a Formação Gamma

 

No Período Gammaiano o magma no interior da esfera inverte seu movimento negativo, que provocou o primeiro embaciamento, para movimento positivo, e assim Beta é destruída na superfície, formando montanhas com as rochas de Beta, acompanhado por derrames de lava e a formação dos primeiros vulcões. A topografia do continente se deforma de novo, mas agora positivamente, com uma paisagem montanhosa. A intensidade da energia que atinge o continente não é suficiente para quebrar Alpha, e este ainda permanece único. 

 

O período Deltaiano foi marcado pelo levantamento do centro continental, formando montanhas de basaltos e sedimentos, provocando o abaixamento e afogamento da borda continental no oeste. Daí surgem os primeiros sedimentos marinhos, de água doce, originando a Formação Delta, que bordeja Alpha. Essa formação não está presente na área brasileira. Ela é uma dedução geológica dos acontecimentos, e deverá ser encontrada quando for mapeada a costa oeste da América do Sul. 

 

Ainda sob o monocontinente inverte-se, vagarosamente a corrente convectiva no manto terrestre, quando termina o período Deltaiano e começa o Epsiloniano, o último  período da Era Pangæiânica, quando se estrutura a Formação Épsilon, constituída de clásticos. 

 

Os fatos geológicos do quinto período, o Epsiloniano, evidenciam que ele é o mais longo da história da Terra. Dentro do globo, de novo invertem-se as correntes convectivas no magma do manto provocadas pelo núcleo, o que provoca novo movimento negativo da crosta siálica,  formando nova bacia e um novo grande lago central, o qual se expande sobre os restos erodidos das formações anteriores, Alpha, Beta e Gamma. 

 

O novo movimento negativo afeta a região central de Alpha. O movimento é lento, produzindo clásticos texturalmente finos (areias e argilas), em camadas médias e delgadas, varicoloridas, iniciando-se a sedimentação da formação Épsilon. A vida é abundante, condicionada pela fotossíntese. Animais e vegetais têm fartura de alimento. Os vegetais vivem em uma atmosfera carregada de gás carbônico, seu único alimento, enquanto os animais têm à sua disposição tanto os vegetais como os outros animais para sua alimentação. 

 

O processo original da sedimentação das moléculas carbônicas continua acontecendo com todo vigor, pois o fenômeno depende apenas da insolação e do tempo. A atmosfera continua a se modificar. Aparecem as “doenças”, pois essas moléculas, hoje chamadas de micróbios, vírus, bactérias, etc., continuam sedimentando, não somente sobre rochas e no mar, como antes, mas agora, também, sobre os outros seres já existentes, vegetais e animais. Esses parasitas, desprovidos de clorofila, tentam sobreviver a custa de seres já existentes.

 

É fácil imaginar que com a abundância de alimentos foi preciso apenas o fator tempo para que animais e vegetais do Epsiloniano evoluíssem até o estágio de gigantismo a que chegaram. Além da fartura de alimentos, reinava a paz, pois não haviam predadores nem caçadores humanos. Todos comiam todos e tudo, apenas para matar a fome e continuar a proliferação.

 

Dissemos que o Epsiloniano é o intervalo de tempo geológico de maior duração, e a melhor evidência dessa afirmativa, isto é, da enormidade do tempo desse período é o tamanho e peso dos animais existentes nessa parte da história da Terra. O raciocínio geológico é muito simples e claro: os dinossauros, por exemplo, e todos os seus congêneres não foram trazidos para a Terra por alguém ou vieram de outro planeta. Eles nasceram e evoluíram aqui, como todos os outros animais e chegaram, dizem os seus fósseis, ao tamanho de gigantes da natureza, tanto em tamanho como em peso, e tais características dependeram apenas do fator tempo para alcançarem aquelas medidas.

 

A enormidade da duração desse tempo geológico, vale lembrar, foi o “pomo da discórdia” entre Darwin e Lord Kelvin, citado em texto anterior, quando Kelvin se insurgiu contra Darwin sobre a idade do Sol e da Terra. Embora Darwin não pudesse argumentar com melhores observações, ele estava mais próximo da verdade do que todos os perfeitos cálculos do Barão Kelvin baseados em suposições. Grandezas geológicas não são referidas com auxilio de cálculos numéricos, mas com imaginação que tenha fatos a apoiá-la, como única exigência. Voltamos a afirmar: a matemática NÃO é uma ferramenta geológica.

 

Todo o material de origem orgânica, isto é, aquele formado pela influência do Sol sobre o gás carbônico, teve e tem o mesmo destino: depois de nascer, crescer e reproduzir: ele “morre”. Dentre os seres da natureza, os mais resistentes e longevos são os vegetais em virtude da maneira de se alimentar: estáticos, isto é, sem se mover do lugar, pelo processo fotoquímico. Eles se espalham, literalmente, por todas as partes do mundo, tanto no ambiente subaéreo como no subaquático, onde não lhes falte o gás carbônico, para continuar crescendo. Os animais precisam trabalhar para sobreviver, deslocando-se, lutando, plantando, colhendo, mastigando, e por isso são em menor número.

 

Ter em conta então que, para os vegetais só o gás carbônico é vital. Não existem vegetais sem gás carbônico, como demonstrado por Jean Senebier (1742-1809) desde o século XIX. 

 

Por outro lado, para os animais o que interessa é o oxigênio, subproduto do alimento dos vegetais. Para os animais o gás carbônico é  venenoso em maiores quantidades do que a atual porcentagem existente na atmosfera. Este é o processo de desertificação em curso do planeta, isto é, os desertos atuais estão se ampliando em área devidos a pequena fração de gás carbônico existente na atmosfera (0,032%), com tendência de ampliação.

 

A evolução dos seres vivos se faz em uma direção apenas. Não há volta. Todos são fruto da composição da atmosfera em que vivem, que é variável em uma direção só, dependente da quantidade de CO₂ na atmosfera. Por isso não há recorrência de espécies extintas, nem possibilidade de preservação de espécies em extinção ou recuperação de áreas desérticas. A tentativa de preservação de animais em extinção é uma ideia antieconômica, romântica, que apareceu a partir da tradição religiosa sem qualquer base cientifica. Dos animais do passado geológico restam apenas alguns esqueletos (objetos da paleontologia), enquanto a parte orgânica foi toda transformada em petróleo, atualmente armazenada em subsuperficie e objeto da indústria. A ideia romântica falada anteriormente é tradição religiosa adotada pelos que pensam que o homem é uma criação divina e que pode “preservar” a natureza.

 

Diante da exuberância de vida existente no Epsiloniano deduz-se que na Formação Épsilon estão presentes as grandes quantidades de matéria prima geradora de petróleo, por isso formam os maiores reservatórios armazenadores dessa substância, capaz de garantir estoque seguro de energia para a humanidade. 

 

O ambiente existente na superfície do planeta durante o Epsiloniano é de plena calma tectônica até determinado ponto no tempo. Subitamente, fazem-se sentir violentos tremores de terra e inicia-se intenso vulcanismo por todo o globo, transformando o ambiente calmo em superlativo tectônico. A energia acumulada no núcleo-motor durante o Epsiloniano é MÁXIMA, devido ao longo período de compressão gravitacional. O planeta sofre uma explosão de energia.

 

Neste ponto, como mostra o esquema da Coluna Estratigráfica, termina o Período Epsiloniano e com ele termina, também, a Era Pangæiânica. Pangæa vai se fragmentar. O globo terá uma nova geografia. Assunto do nosso próximo texto.