Formação Geológica

A condição indispensável para que uma pessoa possa ser chamada de Geólogo é saber o que é uma Formação Geológica. Representa conhecer a fisiologia humana para qualquer médico, saber as quatro operações para ser um engenheiro, ou para um gourmet conhecer os segredos da mistura de iguarias para resultar uma refeição saborosa. Sem o conhecimento do que é uma formação geológica o homem estará perdido em qualquer atividade no âmbito da Geologia, e qualquer teoria que seja feita envolvendo a Terra e seus fenômenos passa a ser uma teoria religiosa, na qual se crê pela fé. Os exemplos são muitos: o “aquecimento global”, o “derretimento das calotas polares”, “o efeito estufa”, o “el niño” e outras tolices do mesmo gênero são parte dessas crenças.”

 

Existem diferenças fundamentais entre as diversas ciências que compõe o currículo científico e a geologia como ciência da Terra. A primeira é o problema das escalas de trabalho. Médicos, engenheiros, físicos, químicos etc, trabalham em escala humana. O geólogo trabalha em escala geológica. Explicando melhor, os professores das diversas áreas científicas podem ensinar os fundamentos das diversas ciências dentro de uma sala de aula ou laboratórios. Os fundamentos da geologia só podem ser ensinados e compreendidos no campo, que é o laboratório do geólogo. Dentro desta particularidade, neste trabalho, apelaremos para figuras de modo a ilustrar as ideias compreendidas no campo. Outra característica distingue a geologia das outras ciências: ela só pode ser estudada durante o dia e não pode ser praticada por pessoas desprovidas do sentido da visão.

 

Finalmente, uma última característica fundamental da geologia: é uma ciência totalmente independente da matemática ou de cálculos. A partir dos fatos observados no campo pode-se imaginar forças, quantidades, distâncias, tamanhos, potências, etc, sem apelo para cálculos. Dito isto, vejamos como amadureceu a ideia do que é uma unidade de sedimentação ou uma formação geológica brotada do estudo dos sedimentos da Bacia do Recôncavo.

Mostramos em A Paleontologia na Prática que há uma anomalia na organização dos fósseis dentro da bacia do Recôncavo que contraria uma lei geológica impossível de ser contrariada. É preciso haver uma justificativa, também natural, científica, para explicá-la. Os fósseis analisados pelos técnicos estrangeiros e pelos paleontólogos da Petrobras estão corretamente descritos, classificados[1] e reconhecidos, mas eles não notaram, nem poderiam notar, que os fósseis estavam misturados, contrariando a 2ª lei da sedimentação.

A 2ª Lei da sedimentação nada mais é do que “a ordem natural das coisas” que rege os fatos da natureza. Tudo o que se faz ou se constrói obedece uma ordem determinada pela natureza, por exemplo, não se pode colocar o teto de  uma casa sem antes construir seus alicerces; não se coloca livros sobre uma mesa sem que a mesa esteja colocada antes no seu lugar; impossível um avião voar antes que seus motores estejam em funcionamento, etc. Na paleontologia os fósseis dos animais mais antigos estarão sempre embaixo dos mais novos, e tal fato é que dá sentido a existência e funcionamento da ciência. Isso se passa em todas as bacias do mundo, exceto nas bacias do tipo Recôncavo. Nessa bacia e em outras do mesmo tipo, os fósseis existentes contrariam essa lei geológica, e o fenômeno precisa ser explicado.

 

Em linguagem geológica: os fósseis existentes dentro da Bacia do Recôncavo que deveriam datar os sedimentos ou as “formações” lá existentes não servem para isso, pois eles estão desordenados, isto é, eles estão misturados caoticamente. Eles não datam nada dentro da bacia. A desordem dos fósseis data o aparecimento da própria bacia. O fato de estarem misturados representa o evento geológico que resultou na sua mistura, como  veremos.

 

A análise do laboratório de paleontologia mostra que houveram duas bacias de sedimentação, antes do aparecimento da Bacia do Recôncavo:

 

 A primeira, mais antiga, formou-se no tempo que foi chamado de Paleozoico, ainda ao tempo do monocontinente, evidenciado pela identificação de fósseis do Carbonífero inferior [2] e Devoniano médio [3] no poço de D. João Central (6-DJC-2-BA). Essa bacia foi destruída surgindo outra no mesmo lugar geográfico, agora no Mesozoico (Jurássico-Cretáceo), sobrepondo-se aos restos erodidos das duas formações anteriores. Nos sedimentos que formavam essas duas bacias, anteriores à Bacia do Recôncavo, os fósseis foram depositados e fossilizados conforme a Segunda Lei da Sedimentação, ou seja, na sua ordem bioestratigráfica: os mais velhos embaixo dos mais novos.

 

​O movimento que formou a Bacia do Recôncavo é singular na natureza. Não é uma bacia resultante de movimento negativo lento da crosta, ao contrário, ela se formou como resultado de um cataclisma violento, rápido e subaéreo, ligado ao fenômeno maior da fragmentação continental. Em outras palavras, a Bacia do Recôncavo é uma evidência física, real, extraordinária, do “continental drift”. Neste ponto exato surgiu o conceito fundamental da geologia, o conceito do que deve ser chamado de  Formação Geológica.

 

 

Ter em conta que segundo a tradição a bacia é de idade cretácea do Mesozoico e não pode conter fósseis de idade anterior, como são o Devoniano e Carbonífero do Paleozoico. Entretanto, os fósseis daquele tempo existem, e foram reportados nos estudos da Bacia, embora sem explicação. Este fato, isto é, a misturada dos fósseis ou conglomerado orgânico, como o chamamos, é que provocou o aparecimento de todas as teorias inventadas para justificar a anomalia, inclusive um sistema de “falhas” originada em pontas de lápis dos geólogos e geofísicos. Nenhuma delas existe, levando em consideração que os fósseis são refossilizações e não fossilizações.

 

Vale ressaltar: os fósseis não passam de sedimentos, mas são sedimentos especiais,  de origem orgânica que, ao fim, se comportam como qualquer sedimento. Obedecem rigidamente a 2ª lei da sedimentação. Os mais velhos sempre estarão embaixo e os mais novos sempre em cima.

 

Dissemos anteriormente que os fósseis coletados e analisados dentro da Bacia do Recôncavo não datam nada. A misturada dos mesmos é que indica, com precisão, o aparecimento da própria bacia, como um todo.

 

Enfatizando: fósseis NÃO se misturam pois não podem contrariar a 2ª lei da sedimentação. No Recôncavo eles estão misturados. Quem os misturou? Por que se misturaram? Quando se misturaram? É o que vamos responder em seguida. 

 

Vejamos os fatos existentes na bacia e uma nova interpretação dos mesmos.

Quais fatos?

 

1. A presença de uma possante falha limitando a bacia pelo lado leste,

2. A presença do embasamento à superfície no lado alto da falha,

3. A presença do conglomerado pelo lado oeste do falhamento que forma a bacia fisicamente e finalmente,

4. A misturada de fósseis dentro da bacia.

 

Tais fatos amparam firmemente a teoria dos movimentos que deram origem à bacia e o fundamento teórico do que foi concebido como uma formação geológica e a correção dos primeiros erros do raciocínio primitivo sobre a Bacia do Recôncavo.

  1. A divisão estratigráfica atual dos sedimentos dentro da Bacia do Recôncavo (Aliança, Sergi, Candeias, Ilhas etc...) está erradamente concebida. É fictícia. A divisão em várias “formações” NÃO existe. Dentro da Bacia do Recôncavo existe UMA E SOMENTE UMA FORMACAO GEOLOGICA representada pelo conjunto do conglomerado que preenche a Bacia.                                                                                              

  2. A falha geológica que limita a Bacia pela margem leste é uma falha REVERSA! (The hanging wall moved up!). Reforçando: a falha que limita a margem leste da Bacia, NÃO É uma falha normal como ensinado na Petrobras.  Ao contrário, é uma falha REVERSA!                                                                          

  3. A Bacia do Recôncavo estruturou-se subaereamente em algum lugar sobre o atual “rift Atlântico”, atualmente recoberto pelas águas do Oceano Atlântico e movida para o seu atual lugar geográfico, por outro movimento que será visto posteriormente.

A concepção e definição do que vem a ser este objeto da natureza, a formação geológica, é a novidade da ciência. Tentada desde muito tempo, trabalho que gerou muitos códigos estratigráficos, tentada por muitas fontes, nunca deu certo para ninguém, pois sempre dependia de interpretações pessoais, por isso sem haver consenso entre os geólogos pelo mundo afora. Por ser uma história muito longa não cabe neste ponto do trabalho, e será vista adiante.

 

Entretanto, a descoberta dessa entidade não poderia ser obtida antes do tempo em que foi conseguida, ou seja, antes que as artes da engenharia permitissem construir um poço de petróleo, para ser estudada com precisão e, especialmente, a obtenção de imagens de sensores remotos, permitindo visão de impressionantes imagens de grandes áreas da crosta. Essas imagens só ficaram conhecidas no Brasil depois de 1972, quando foi fundado o Projeto Radar na Amazônia ou Projeto Radam.

 

Nos anos 70, o Recôncavo passou a um segundo plano exploratório, pois as pesquisas de petróleo se transferiram para o mar e reacenderam a esperança da autossuficiência, nunca acontecida. Solitariamente e por antecipação sabíamos que isso jamais aconteceria, pois todos os erros existentes no Recôncavo foram transferidos para a pesquisa no mar. A propaganda se encarregou de transformar o serviço de perfuração no mar, na suprema proeza científica da Companhia, passando o abastecimento de petróleo  da crescente população do Brasil para uma posição secundária. A Petrobras era a “campeã das águas profundas”, batia recordes seguidos de suas próprias proezas, embora nenhuma delas satisfizesse a necessidade do Brasil em matéria de combustíveis, pois mantinha os erros da geologia trazidos da Bacia do Recôncavo.

 

Em nova concepção, a Bacia não é  como apresentada na seção geológica do Recôncavo mostrada para investidores em leilão da ANP, pois não considera os fósseis misturados, levando ao fracasso a tentativa da iniciativa privada brasileira em produzir petróleo. Por essa razão afirmamos:

 

1. Não existem as quatorze (14) “formações” como mostradas na “Legenda” da figura.

2. Todas as “falhas” mostradas no desenho são inventadas, não existem.

3. A falha no limite SE da Bacia não é “normal” como sugere a figura. É uma falha reversa.

 

Realmente, o corpo rochoso inteiro na região da Bacia do Recôncavo pode e deve ser descrito como uma única formação como apresentada na nova proposta de estrutura para a Bacia do Recôncavo. Adotando este critério a bacia do Recôncavo é descrita como um conglomerado polimítico de secção triangular e forma prismática com a base no contraforte da chamada Falha de Salvador, pelo lado leste, e com o vértice para oeste, direção onde aparecem os seus componentes clásticos mais finos. Vale acrescentar, a Falha de Salvador como é conhecida a falha geológica que limita a Bacia do Recôncavo pela sua margem leste é a única falha existente na região da Bacia do Recôncavo, e é uma falha reversa!

A acanhada produção de petróleo registrada atualmente, tanto na bacia do Recôncavo como em todas as demais bacias brasileiras, é o resultado desse amontoado de erros primários contra a ciência geológica. As companhias que compraram áreas de pesquisa baseadas neste esquema jogaram seu dinheiro fora, e daí o fracasso da iniciativa privada brasileira nos negócios de petróleo.

 

A única falha geológica existente na região da Bacia conhecida como Falha de Salvador, conduz, fortemente, à ideia de movimento. Assim, o bloco de sedimentos que forma a Bacia dependeu do movimento da crosta terrestre que foi gerado pelo falhamento reverso, detalhado na figura. O estudo da paleontologia conduz a conclusão da existência de duas bacias situadas no mesmo lugar geológico, mas separadas pelo tempo, na fase de uma paleogeografia configurada ainda ao tempo do monocontinente - Pangæa.

 

Agora, é possível determinar quantas formações geológicas existiram antes da Bacia do Recôncavo e os movimentos havidos para que isso acontecesse, além de determinar o lugar exato desses movimentos, os quais veremos na História Geológica. Ora, se o conglomerado mineral e orgânico que forma a Bacia do Recôncavo foi formado de um movimento da crosta, toda e qualquer formação geológica também estará ligada a um movimento definido, passado na crosta.

 

Neste ponto, a Formação Geológica toma uma nova definição, um novo conceito:

 

É UM CORPO ROCHOSO RESULTANTE DE UM MOVIMENTO HAVIDO NA CROSTA TERRESTRE.

 

Ora, se isso é verdade para a Bacia do Recôncavo, tem de ser verdade para todos os outros fenômenos geológicos do mesmo tipo. Isso abre novo conceito sobre o que vem a ser o tempo geológico, permitindo rememorar a HISTÓRIA GEOLÓGICA através do estudo da Bacia do Recôncavo.