Petróleo; Gênese, Acumulação e Ocorrência

Todo o embasamento científico sobre o assunto que vamos tratar agora se encontra nos textos sobre a História Geológica.

 

Neste trabalho, o petróleo é definido como a energia do Sol armazenada em reservatórios geológicos na subsuperfície.

 

A captação e a transferência dessa energia para a subsuperfície é resultado da fotossíntese, como visto no texto sobre Evolução. Vejamos os detalhes dessa transferência.

 

Como resultado da fotossíntese, o ambiente puramente mineral na superfície do planeta foi transformado com a presença da matéria orgânica formada de vegetais e seus subprodutos, cobrindo a superfície de Alpha ou Pangæa e as adjacências marinhas da mesma. Significa dizer que a presença de uma matéria diferente da mineral mudou as CNTP do início do tempo Alphaiano [1] que, obrigatoriamente, evoluiu na direção das CNTP atuais

 

Revisando. No princípio, sobre a superfície da Terra existia somente a matéria mineral que formava a totalidade do globo devido ao seu alto grau de energia. De determinado momento em diante, alcançada a temperatura conveniente, a atmosfera do planeta, que pairava longe da sua superfície, aproximou-se da esfera da Terra, formando Pantalassa. Por sua densidade o vapor d’água sedimenta primeiro, e inicia-se o ciclo da água.

 

Ao redor do globo, além do vapor de água restou uma mistura de dois gases: o nitrogênio e o gás carbônico, e permaneceria assim, para sempre, não fosse o gás carbônico ter a propriedade da catenação, fenômeno responsável pela formação das cadeias orgânicas sob a ação da energia solar.

 

O encadeamento das moléculas do gás carbônico confere-lhe massa cada vez maior, agora impregnadas da energia solar que as uniu. Prossegue assim o fenômeno da sedimentação da atmosfera, apenas que agora o gás sedimentado está impregnado da energia solar. Deixou de ser gás carbônico e passa a ser MATÉRIA ORGÂNICA. 

 

Voltamos a chamar atenção do leitor: é impossível fazer experiências em laboratório com o tipo do fenômeno descrito. As condições são do passado geológico, impossíveis de serem repetidas.

 

Observar então: o material mineral formador do globo é único e inclui os gases da atmosfera daquele tempo. Apenas uma pequena parte desses mesmos gases iniciais é que vai se transformar. A catenação do gás carbônico,via insolação, cria a matéria orgânica: massa de gás carbônico plena de energia solar.

 

Ressaltando. Não há uma massa estranha na superfície da Terra. Há uma transformação da massa de gás existente anteriormente, apenas que agora ela é portadora da energia do Sol. A massa do globo continua exatamente a mesma. A matéria orgânica passa a existir agora na superfície do globo como resultado da sedimentação da atmosfera, que após adaptação adquire a capacidade de realizar a fotossíntese. A matéria orgânica toma a forma de vegetais plenos de energia do Sol! Por esta razão, as coisas orgânicas “pegam fogo”, como se diz popularmente.

 

Os vegetais cumprem o destino comum das coisas vivas: nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se, envelhecem e “morrem”. Sob a ótica geológica, a “morte” não encerra a história dos seres vivos, os portadores de energia solar, inclusive a humanidade. Todo ser vivo apenas se transforma, saindo do estado sólido, com forma definida, e passando ao estado fluido e amorfo de lixo orgânico. Nessa forma se junta ao lixo mineral, fragmentos de rochas, e é carreado pelas correntes de água de superfície para uma bacia de sedimentação, um lugar baixo da crosta, onde se acumula e se transforma em petróleo, ao fim de longo tempo ou tempo geológico.

 

A transformação da matéria orgânica em petróleo é um processo imaginativo, em virtude de dois fatores: o tempo necessário à transformação e o lugar onde a mesma se dá. O tempo é imensurável pelo padrão humano, e o lugar é a subsuperfície do planeta, onde os humanos não têm acesso para acompanhar tal transformação.

 

Os animais, da mesma forma que os vegetais, seguem o mesmo caminho ou sofrem o mesmo processo, apenas são numericamente inferiores, por isso são uma contribuição irrisória para formação de petróleo, se comparados aos vegetais.

 

Comentário pertinente: petróleo não tem origem em “rochas geradoras” como se crê nas grandes companhias de petróleo, inclusive na Petrobras. Em palavras outras, a origem do petróleo não depende de nenhuma rocha. Esta é uma ideia antiga que prejudica a pesquisa e deve ser descartada. Petróleo, assim como a vida animal e vegetal, depende do gás carbônico que ocorre na atmosfera.

 

O petróleo se forma em etapas. Vejamos.

 

A fotossíntese sedimenta o CO₂ e mantém os vegetais, e indiretamente os animais

2ª Vegetais e animais se transformam em lixo orgânico;

3ª Esse lixo é transportado para bacias de sedimentação;

4ª Ao longo do tempo geológico, finalmente, se transforma em petróleo na subsuperfície.

 

 

OCORRÊNCIA DO PETRÓLEO

 

Pelo roteiro acima se conclui que o petróleo somente está estocado em rochas sedimentares, e não tem qualquer possibilidade de ocorrer em rochas ígneas, como postulam alguns pesquisadores, por três razões:

 

1. O petróleo só começou a se formar depois da solidificação das rochas ígneas que formam a litosfera ou, mutatis mutandis, as rochas ígneas solidificaram antes do início da sedimentação da atmosfera.

 

2. As rochas ígneas não constituem rochas reservatório por não possuírem poros. Rochas ígneas são (a) destruídas pelo intemperismo, (b) transportadas como lixo mineral a uma bacia de sedimentação junto com o lixo orgânico, quando, então (c) se transformam em reservatórios.

 

3. As altas temperaturas verificadas em rochas ígneas são incompatíveis com petróleos. Elas, as altas temperaturas, destroem o petróleo. Qualquer hidrocarboneto é destruído pela combustão.

 

O petróleo por natureza é um produto estratigráfico. Os livros textos [2] que circulam nas bibliotecas universitárias trazem desenhos transformados em estruturas, que atrapalham mais do que ajudam nos planos de identificação de reservatórios. Tais estruturas não existem na subsuperfície, e se tornam perniciosas quando os intérpretes (geólogos e geofísicos) procuram identificá-las, traçando “falhas” inexistentes. 

 

Não há profundidade “natural” para a ocorrência de petróleo! Ele ocorre a qualquer profundidade. Os exemplos de ocorrência de petróleo na superficie são muitos, tanto no Oriente médio como na Venezuela e Estados Unidos, assim como em todo o mundo [3]. Tal fato requer dos pesquisadores maior atenção na observação de indícios durante a construção do poço. 

 

O petróleo também pode ser conceituado como uma mistura complexa de hidrocarbonetos, pois é o somatório da qualidade do lixo orgânico que contribuiu para a sua formação. Por isso, ele se apresenta em todas as composições químicas, em todas as cores, densidades etc. O pesquisador de petróleo pioneiro, que trabalha no upstream, não escolhe essas qualidades, e seu trabalho termina quando o petróleo jorra do poço.

 

Só quando o petróleo sai do poço, na fase do downstream, é que se fazem análises determinando aquelas qualidades, dando-se, então, uma destinação ao petróleo achado. E desse ponto em diante entra em cena a engenharia da indústria de transformação do produto: coleta, retirada da água, estocagem, transporte, gasodutos, oleodutos, refinarias, petroquímica, distribuição, preços, mercados, consumo etc.

 

Até o upstream o petróleo está em seus reservatórios na subsuperfície, e o trabalho é da escala geológica: imaginativa. Deste ponto em diante não é mais pesquisa e produção. Passa-se para a escala humana, para o mundo da tecnologia .

 

No próximo texto vamos detalhar o Ciclo da Energia na Terra.